O deputado federal Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT) - mesmo sendo petista - condena a indicação do pastor e parlamentar Marco Feliciano (PSC/SP) para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. O partido é aliado da base da presidenta Dilma Rousseff (PT) e as composições são defendidas como forma de garantir “governabilidade”.
Mas, as polêmicas declarações do pastor são o suficiente para críticas de todos os lados, inclusive de setores do próprio PT, como na nota divulgada pelo deputado federal Paulão. O parlamentar alagoano se solidariza com os “movimentos sociais organizados que lutam por reparação e implementação de direitos”.
“A Câmara dos Deputados vive um momento difícil na escolha do novo presidente da Comissão de Direitos Humanos – CDH, em seus 18 anos de atuação, esta Comissão nunca vivenciou um momento tão deplorável para as pessoas em seus direitos violados. O papel da comissão é receber e investigar denúncias de violações de direitos humanos, discutir e votar propostas na área”, explicou o petista.
Para Paulão, o deputado federal Marco Feliciano “por ter já se postulado inimigo público e declarado de minorias estigmatizadas e ter um discurso público que estimula a violação da dignidade humana de vários grupos sociais, fere totalmente a Constituição Brasileira”.
“Não é possível presidir uma Comissão de Direitos Humanos e Minorias, um parlamentar que disse que o problema da África negra é "espiritual" porque "os africanos descendem de um ancestral amaldiçoado por Noé", alimentando uma interpretação racista da Bíblia, que no passado este argumento foi usado para justificar a escravidão de negros e índios no Brasil. Este mesmo deputado defende um projeto de lei para obrigar o Conselho Federal de Psicologia a aceitar a suposta "terapia de cura da homossexualidade”, relembra ainda Paulão.
Pelo visto, as discussões envolvendo Marco Feliciano ainda devem render muito na Câmara dos Deputados e fora dela.
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