As aulas começaram há poucos dias, mas os problemas nas unidades educacionais do município de Belém continuam deste o ano letivo passado. De acordo com uma denúncia recebida pelo CadaMinuto, a falta de organização e a estrutura das escolas tem sido o reflexo para o aumento da evasão escolar na cidade.

A situação da educação tem sido alvo de diversos debates na Câmara de Vereadores do município e também conteúdo para elaboração de um dossiê, que deverá ser entregue ao Ministério Público e a Controladoria Geral da União (CGU).

Para o vereador José Amorim (PSC), autor da denúncia, é notável o descaso e total falta de comprometimento da gestão com a educação, já que o ano letivo deve início somente no último dia 04 e nem reforma nas unidades para justificar o atraso. “É aceitável que o ano letivo comece atrasado, quando o atraso é relativo a reformas de infraestrutura e aprimoramento do corpo docente e do quadro de funcionários, mas em Belém nada disso acontece, e o atraso demonstra o desrespeito de quem está administrando a prefeitura”, disse.

Amorim, que também é professor no município, afirmou que as escolas da zona rural do município estão em situações precárias e muitos alunos foram matriculados em escolas das cidades vizinhas devido a essa situação. Segundo ele, durante todo o período de férias, não houve reformas, mudanças ou melhorias. Os prédios continuam em degradação, caindo parte da estrutura, piso incorreto, paredes sujas e com buracos e tetos caindo, pingueiras e banheiros totalmente inapropriados.

“É uma falta de respeito ao pai que confia seu filho à instituição. Não se faz esse tipo de educação de qualquer jeito. A partir do momento que o professor é jogado numa sala sem direção, sem saber seu papel, a qualidade cai e a evasão só aumenta”, relatou Amorim.

Amorim colocou ainda que durante o período de férias, a Secretaria de Educação do Município não se reuniu com os professores para traçar planejamentos ou treinamentos. Segundo ele, os professores começaram seu ano letivo sem saber onde estavam lotados, e de forma aleatória começaram a se dividir nas salas, tentando preencher brechas e segurar os poucos alunos que restavam.

O Sindicato dos Trabalhadores da Educação em Alagoas (Sinteal) procurou a Secretaria de Educação do município e a Prefeitura, entretanto, ninguém quis receber. “A nossa luta é pela qualidade de ensino. Queremos sentar com a prefeitura e buscar soluções para esse problema e que isso não seja para ontem e sim para hoje”, colocou Amorim.

Através de assessoria, o prefeito Clênio Vilar afirmou que assumiu o município há apenas três meses e qualquer mudança leva tempo para serem sanadas. Além disso, as condições apresentadas na denúncia demandam tempo, porque precisa passar por um processo licitatório.

Com relação a evasão escolar, o trabalho vem sendo feito, mas, deixando claro que este é um problema geral e que ações para isso estão sendo tomadas, uma vez que, os salários do município, no que se refere a educação, é um dos melhores de Alagoas. A administração ainda fazendo a solicitação de e quanto as denúncias, o prefeito está tranqüilo e disposto a esclarecer qualquer situação no Ministério Público Estadual.