A alagoana Rozangela Maria Fernandes de Almeida Wyszomirska, mais conhecida como Rozangela Wyszomirska desde cedo despontou como uma liderança.
A jovem estudante de medicina da antiga Escola de Ciências Médicas (Ecmal), hoje Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) participou de movimentos estudantis e sempre foi uma defensora dos direitos humanos. Formou-se em 1980.
Começou a atuar na área médica e a lecionar na Uncisal e na Universidade federal de Alagoas. Em 2009 foi eleita reitora da Uncisal. Cargo que ocupa até hoje no comando de mais de 3 mil servidores e 3.500 mil estudantes.
CM – A senhora está há 3 anos no comando da Uncisal, é professora, médica e mãe. Como se divide para dar conta de tudo?
Rozangela - Hoje é mais fácil. Os filhos cresceram, não dependem mais de mim. Então divido minha vida entre trabalhar na Universidade e minha profissão de médica. Já foi muito mais difícil, quando meus filhos eram pequenos, trabalhava como médica, professora, tomava conta de casa e do casamento. Mas, prezava sempre pela qualidade do que fazia, na relação com meus filhos e na minha profissão primava pelo tempo que passava com eles. Acho q consegui. Trabalhei muito e ainda trabalho, amei e amo profundamente meus filhos, respeitei, amei e continuo respeitando e amando meu trabalho. Acho que esqueci um pouco, ao longo da vida, a mulher. Foi o ônus.
CM- Enfrentou algum preconceito por ser mulher?
Rozangela - Nada muito gritante. Também nunca permiti. Na hora, já esperneava. Isso, desde criança. Ouvia muito de minha mãe o seguinte aviso: estude, tenha sua profissão, não dependa de homem, vá à luta. Aprendi a lição.
CM- Quais foram os maiores desafios enfrentados como gestora?
Rozangela - Todos os desafios são relacionados à ser gestora pública, nenhum relacionada a ser mulher. Como disse, não permito o preconceito. Nos desafios, está dirigir uma Universidade pública estadual, que vai além da missão na educação e trabalha também na assistência à saúde.
Os desafios de dirigir com ética, cumprindo a lei para estruturar administrativamente a Universidade. Nem sempre isso é compreendido, porque estamos acostumados a pensar e querer resolver apenas os problemas de cada um, do interesse pessoal.
Outro desafio tem sido planejar e executar as medidas que são extremamente necessárias: reformas, reposição de equipamentos, abastecimento, atenção aos docentes, servidores e alunos. Acredito que conseguimos avançar em muita coisa, e em outras ainda não. Mas, acredito firmemente que os desafios não são intransponíveis. E, que temos o potencial para sermos uma grande Universidade.
CM- Qual a diferença que apontaria entre a gestão feminina e a masculina?
Rozangela - A gestão feminina é mais abrangente. A masculina é mais focada em determinado ponto. A feminina acolhe e aceita que podemos nos cansar, chorar, torcer, vibrar, crescer. A masculina é mais focada no resultado, no objetivo.
CM- A senhora tem uma equipe onde predominam as mulheres. Você acha que uma equipe feminina trem mais sensibilidade?
Rozangela - Os pro reitores estão divididos: 3 são mulheres e 3 são homens. É um equilíbrio. Se juntarmos todas as gerências, aí sim, temos um predomínio feminino, uma alma feminina, e sim, com mais sensibilidade. Mas, que trabalha muito.
CM - Que outros cargos de comando você ocupou?
Rozangela - Sempre estive envolvida com gestão. Assumi a chefia de serviços, coordenação de unidades de saúde, assessoria de direção de hospitais, tanto privados, quanto públicos. Antes de assumir a Reitoria, estava na Direção de Ensino do Hospital Universitário da UFAL.
CM – A senhora tem algum sonho?
Rozangela - Continuar trilhando meu caminho, cumprindo minha missão, aqui, no planeta. Continuar tendo meus filhos, nora e genro por perto, queridos w amados. Quero ver meus netos. Ou seja, permanecer no planeta, enquanto ainda fizer sentido estar aqui. E depois, poder ir para outras dimensões, reencontrar minha filha amada, que já partiu. E continuar seguindo os caminhos que me forem determinados, inclusive voltar ao planeta, se assim for a programação.
