O procedimento investigativo que o Ministério Público Estadual abriu para apurar as causas da morte da aposentada Edlene da Conceição Silva, pode ir muito além do que o esperado. De acordo com o promotor Sidrack Nascimento, o órgão deve ir até as últimas conseqüências, ou seja, até o Supremo Tribunal Federal para punir os responsáveis.
Segundo o promotor responsável pelo procedimento, Sidrack José do Nascimento, a situação não pode continuar como está e o Ministério Público irá até as últimas conseqüências na investigação deste caso.
“Não queremos discutir a situação de contratos, não vamos entrar em atrito com sindicato algum, mas, vamos apurar sim os responsáveis por este caso e vamos punir, levando até as últimas conseqüências, mesmo que precise chegar ao Supremo”, se referindo a Supremo Tribunal Federal.
Após a confirmação da abertura do procedimento liminar investigativo por parte do Ministério Público Estadual, publicado na edição de segunda-feira do Diário Oficial da União, o Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed) se posicionou um tanto quanto contrariado, com relação a notificação recebida para prestar esclarecimentos nos próximos dez dias sobre a falta de atendimento que levou a idosa Edlene da Conceição Silva a morte, tendo passado por dois mini-pronto socorros, Denilma Bulhões no Benedito Bentes e Ib Gatto Falcão, no Tabuleiro.
O promotor ainda fez questão de corrigir uma informação passada pelo Ministério Público Estadual, afirmou estar notificando o mini-pronto socorro Assis Chateaubriand. No entanto, esta unidade não teve ligação com o acontecido.
Marido da vítima foi ouvido pelo promotor
Dando continuidade ao procedimento investigativo aberto na última segunda, o promotor Sidrack Nascimento teve uma conversa com o esposo da aposentada. Josenildo Jorge da Silva, relatou toda a situação passada com a mulher na manhã do último sábado.
De acordo com o marido, Edlene da Conceição sentiu fortes dores no peito ainda em sua residência, no conjunto Cidade Sorriso, no bairro do Benedito bentes, tomando leite e logo depois sendo levada de moto para o mini-pronto socorro Denilma Bulhões.

Chegando nesta unidade, o atendimento precário começou desde a recepção, quando a paciente passava mal, as dores só aumentavam e a recepcionista, que usava o celular, afirmou que a paciente seria atendida, mas teria que entrar na fila, que concentrava muitas pessoas.
Percebendo que a esposa não seria atendida, o esposo a colocou novamente na motocicleta e se encaminhou para outra unidade. No caminho, a esposa não suportou a situação e o forte calor e desmaiou, caindo da moto.
Neste momento, uma viatura da Polícia Militar passava no local e foi chamada pelo marido, que pediu que ela fosse levada, mas, os militares afirmaram que não era serviço da PM este tipo de procedimento, o que despertou a ira do promotor.
“De fato, a polícia não tem que atender casos como esse, mas, cabe a eles entender e ter sensibilidade. Acho que outros tipo de atos ilícitos, usando carros militares são usados, porque não salvar uma vida”, disse.
Com a esposa no asfalto, Josenildo chamou um taxi e a levou para o mini-pronto socorro Ib Gatto Falcão, no Tabuleiro do Martins. Chegando na unidade, a esposa foi atendida, tomou uma medicação na veia, apresentou uma leve melhora, mas, logo em seguida, passou a vomitar, teve uma parada cardíaca e vindo a falecer, constando no atestado de óbito, infarto do miocárdio.
A notificação feita a Secretaria de Estado de Saúde, o Sindicato dos Médicos e os dois postos, cobrando explicações sobre o fato e os funcionários que trabalhavam no dia do acontecido, ainda está dentro do prazo de dez dias, que se encerra na próxima quarta-feira.
Porém, o promotor deixou claro que irá investigar detalhadamente a recepcionista do Denilma Bulhões, além de duas enfermeiras e médicos das duas unidades por onde passou a aposentada falecida.

