Seis contêineres de lixo. Eis o volume de material coletado pelos agentes da Superintendência Municipal de Limpeza Urbana (SLUM) nas redes de contenção instaladas no Riacho Salgadinho após as últimas chuvas que caíram na capital alagoana. Na manhã desta terça-feira (05), a equipe de limpeza que trabalha diariamente no local recebeu reforço devido ao aumento na quantidade de resíduos.
“Com a chuva, o lixo aumenta. Em geral, parte dele fica presa no canal, mas quando há chuvas mais fortes, o volume água arrasta tudo”, explica Pablo Ângelo de Almeida, diretor de Operações da SLUM. “As redes existem para que uma quantidade muito grande de lixo não chegue à praia da Avenida”, complementa.
O Riacho Salgadinho nasce na parte alta da capital e atravessa diversos bairros até chega à foz na praia da Avenida. A coleta de lixo nas grotas e nas comunidades ribeirinhas, como no Vale do Reginaldo, foi ampliada e hoje ocorre de segunda a sábado. “É um problema cultural da região”, avalia o diretor de operações da SLUM. “Além do pessoal do Reginaldo, o lixo também vem de outras grotas que margeiam afluentes que interligam o Salgadinho”.
Lixo poderia ser reciclado
Garrafas plásticas, embalagens de papelão, vidro e outros resíduos que poderiam ser reciclados têm como destino um riacho e seus afluentes que deveriam estar limpos e preservados. “Veja o quanto de material está sendo desperdiçado”, lamenta Rita Araújo, coordenadora de Educação Ambiental da SLUM. “Além de fazer um bem ao meio ambiente, você estaria gerando renda para os catadores das cooperativas e contribuindo para aumentar a vida útil do aterro sanitário”, aponta.
A região já entrou diversas vezes na programação das atividades da Coordenação de Educação Ambiental da SLUM. “Já foram feitas várias ações de educação ambiental no Vale do Reginaldo. Além da coleta diária, há o gari comunitário, e colocamos inclusive contêineres. Não há necessidade das famílias ribeirinhas jogarem lixo nos afluentes”, afirma a educadora ambiental.
Além de poluir o riacho, o despejo de lixo contamina a praia da Avenida. Uma parte dos resíduos ultrapassa as redes de contenção e chega ao mar. Com o remanso da maré, o material fica encalhado na enseada formada entre o Porto de Maceió e a Vila de Pescadores de Jaraguá. “É por isso que o Salgadinho se torna uma língua negra. Os gases formados pela decomposição orgânica se fundem ao material que poderia ser reciclado e, assim, aumenta a poluição”, explica Rita Araújo.
