O Instituto Médico Legal – unidades Maceió e Arapiraca – entregou, na manhã desta segunda (4), resultados de exames de DNA realizados em corpos que haviam sido sepultados sem identificação.
Os laudos emitidos foram entregues pelo chefe do Laboratório de DNA Forense da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luiz Antônio Ferreira da Silva, ao diretor geral da Perícia Oficial do Estado, João Alfredo. A ação faz parte do convênio firmado entre os órgãos para realização de exames. Nesse primeiro lote foram priorizados exames referentes aos anos de 2011 e 2012.
“Recebemos hoje o resultado de trinta exames, sendo vinte de identificação de cadáver solicitado pelas unidades dos IMLs alagoanos e dez exames de material coletado em locais de crimes solicitados pelo Instituto de Criminalística. Mas tanto os IMLs como o IC estão trabalhando para enviar novas remessas referentes ainda aos anos de 2012 e 2013”, afirmou João Alfredo.
Segundo Luiz Antônio Ferreira da Silva, o laboratório comparou o DNA extraído de elementos dentários e ossos de vítimas desconhecidas com fragmentos biológicos recolhidos de supostos parentes de primeiro grau – pais e filhos. Desse total, 14 corpos foram identificados, um deu negativo, com a exclusão de identidade, e cinco laudos ficaram com os resultados armazenados no banco de dados de pessoas desaparecidas para posteriores confrontos com outras famílias.
“Está sendo uma satisfação grande esta parceria e o resultado apresentado logo no seu início. Iremos manter a dinâmica e o esforço coletivo para continuar os exames e ampliar o banco de dados de identificação de pessoas desaparecidas, pois os que não foram identificados, poderão ser cruzados com o perfil genético de outras famílias que tenham um parente desaparecido”, afirmou o professor.
O banco de dados de pessoas desaparecidas é formado por amostras de perfil genético de cadáveres, ossadas e material biológico e com amostras de familiares de pessoas desaparecidas. Quando se tem uma suspeita, o sistema realiza uma varredura, fazendo a comparação entre os perfis até encontrar ou descartar o parentesco.
Para os técnicos forenses do IML Avelar da Costa e Eduardo Bittencourt do IML, o resultado do exame tem também papel social. Eles orientam que quem tenha um parente desaparecido e que suspeita que ele possa ter dado entrada no IML procure a unidade mais próxima para fornecer o material genético para a realização do exame.
“No acompanhamento de vários casos onde a vítima não está identificada oficialmente, observamos que muitas dessas famílias, além do drama pessoal de perder um parente, passam por sérias dificuldades sociais e perdas financeiras. Até filhos deixam de ser registrados por falta da identificação. Com o resultado do exame de DNA, o médico legista irá emitir um laudo complementar, identificando a vítima e emitindo o atestado de óbito, mudando completamente a realidade destas famílias que conseguem, por exemplo, receber salários atrasados e benefícios do governo, como aposentadoria e realizar o sepultamento digno do familiar morto“, afirmou Bittencourt.
Exame de DNA de locais de crime
Nos casos dos exames de locais de crime solicitados pelo Instituto de Criminalística, a maioria é relacionada a estupros. Para a perita criminal Rosana Coutinho Freire Silva, gestora do contrato que permitiu a realização dos exames, os resultados possibilitam a identificação dos suspeitos e a acusação por parte das autoridades.
Em dois dos exames entregues nesta segunda (4) foram analisadas peças de roupa das vítimas, onde foi colhido material genético do acusado de cometer o crime. Este foi cruzado com o material doado espontaneamente pelo suspeito. Nos dois casos, o exame de DNA deu positivo, e o suspeito passará a responder judicialmente pelo crime, com a comprovação da prova técnica.
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