Abordado pela imprensa nos corredores da Câmara Federal, em Brasília, o deputado federal e delegado de Polícia [licenciado] em Alagoas, Francisco Tenório (PMN), que retornou a ter assento no parlamento nacional, falou pela primeira vez sobre o que levou a justiça decretar sua prisão.

Ele conduziu os repórteres, para um lugar vazio ao lado do plenário e, sozinho, alegou inocência. "Tenho certeza de que vamos chegar ao final (dos processos) mostrando a realidade dos fatos e reconhecendo a vítima que tenho sido nessas acusações", comentou.

Chico Tenório (PMN), como é conhecido, voltou à Câmara Federal, após ter passado um ano na prisão e outros sete meses com uma tornozeleira eletrônica de monitoramento, por causa de dois processos em que é acusado de encomendar assassinatos.

O parlamentar do PMN assumiu a vaga de Célia Rocha (PTB), eleita para a Prefeitura de Arapiraca (AL). Tenório exerceu mandato de deputado na legislatura passada. Assim que deixou a Câmara, em fevereiro de 2011, teve prisão preventiva decretada pela Justiça estadual.

Segundo a acusação do Ministério Público, ele teria, na "posição de líder de uma organização criminosa atuante em Alagoas", ordenado a ação que resultou na execução de duas pessoas em 2005. Ele também é processado como autor intelectual do assassinato de um ex-policial militar nos anos 90.

Tenório passou o Natal de 2011 na cadeia. Dois meses depois, a Justiça alagoana revogou a prisão, substituindo-a pelo monitoramento eletrônico com tornozeleira - ele não poderia deixar Maceió e deveria estar em casa antes das 20 horas. Foi liberado do equipamento em setembro, por ordem do Tribunal de Justiça de Alagoas.

Falando na terceira pessoa, o parlamentar afirmou que "a gente se sente na obrigação de cumprir o dever para o qual fomos eleitos, pelo voto popular". Tenório recebeu 51.864 votos.

Com a posse, as ações contra Tenório serão remetidas para o Supremo, Corte por onde os casos já haviam tramitado, na legislatura passada. A defesa espera um "julgamento isento" no STF. "A expectativa é positiva", disse o advogado Flávio Gomes.

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