Muitos adolesdentes estavam entre os fiéis que lotavam a praça São Pedro e a Via della Conciliazione, a larga avenida que leva até o Vaticano, para assistir à última audiência pública de Bento XVI como papa. Em clima de despedida, mas não de tristeza, os jovens ouvidos pelo Terra declararam seu amor ao primeiro Pontíficie a renunciar em séculos. Conscientes de que são o futuro da Igreja, dizem esperar que o próximo papa fique próximo da juventude.
“Eu quero um papa que use Twitter, assim como Bento XVI”, resume a espanhola Victoria Herce, 17 anos, que foi ao Vaticano em uma excursão escolar. “Alguém que esteja mais próximo de nós, pois, como o próprio Santo Padre disse, a Igreja não é de ninguém, mas de todos”, explicou a adolescente, que viajou de Madri ao Vaticano com 150 amigas.
Por volta das 10h45 (horário local, 6h45 de Brasília), o Pontífice apareceu na praça a bordo do papamóvel e foi ovacionado pelos fiéis, muitos dos quais levantavam faixas de agradecimento ao Papa e gritavam seu nome. Victoria e suas amigas gritaram histericamente quando o viram.
“Ele é o nosso Papa. Uma pessoa muito amorosa e que nos mostrou isso quando esteve na Jornada Mundial da Juventude (2011)”, disse Victoria.
A opinião da espanhola coincide com a da francesa Marguerite-Marie Crepin, também de 17 anos. “Nós o amamos. Ele é como um pai para nós”, disse. Ela e várias de suas colegas de um colégio de freiras da cidade de Draguignan, sul da França, participavam de uma excursão escolar a Roma e aproveitaram a oportunidade para despedirem-se do Papa.
Assim como o grupo de Victoria, Marguerite-Marie e suas amigas gritaram histericamente o nome de Bento XVI, como se estivessem em um show do ídolo teen Justin Bieber.
Todo esse amor por uma papa tido por muitos como a anos luz de distância do carisma de João Paulo II tem explicação. A geração de Marguerite-Marie cresceu no catolicismo pregado por Bento XVI - um catolicismo arraigado na liturgia tradicional, mas que não foi alheio à juventude.
Tanto Marguerite-Marie quanto Victoria são de uma geração nascida conectada à internet, onde a fluxo de informação é enorme. Mas nem os recentes escândalos que abalaram o papado de Bento XVI e que teriam contribuído para sua renúncia abalam o amor das meninas pelo Pontífice.
“É na dificuldade que nos fortalecemos”, diz Marguerite-Marie, repetindo o velho clichê, mas garantindo que a juventude católica dará continuidade ao trabalho iniciado pelo ídolo Bento XVI.









