Sem acreditar na eficiência dos trabalhos realizados pela perícia da Polícia Científica e com insatisfação dos laudos apresentados até o momento, a família do empresário Sérgio Falcão, encontrado morto no ano passado em seu apartamento na cidade de Recife, vai solicitar o afastamento do perito Sérgio Almeida, responsável pelas perícias do caso. A informação foi confirmada pelo advogado Ernesto Cavalcanti.

Em entrevista coletiva, Cavalcanti disse que a família entende que o perito cometeu algumas falhas, dentre elas a liberação prematura do local do crime, como ocorreu. “Nós observamos, ao fazer uma leitura atenta dos autos, que existem inúmeros pontos que foram desprezados pela Polícia Científica no local do crime. Nós entendemos que houve uma luta corporal entre vítima e autor material e que essa luta deixou vários sinais. Sinais na mesa, no chão, chamuscas de sangue dentro da agenda de Sérgio Falcão, sinais numa gaveta que ficou aberta. E esses sinais não foram levados em consideração", declarou. Não se levantou a possibilidade de o perito ter agido de má fé. "Eu entendo que, no que diz respeito a esse rapaz, o caso é maior que ele", completou Cavalcanti.

O pedido de exumação do corpo, uma vontade da família, já foi solicitado à polícia. A ideia é que uma nova perícia seja realizada no corpo de Sérgio Falcão, o que poderá revelar detalhes fundamentais para o esclarecimento do caso. "Nós tivemos o cuidado de conversar com o pessoal do Cemitério Morada da Paz e as caixas funerárias são muito bem lacradas, o que dificulta a decomposição do corpo. Então, nós não vamos criar dificuldades para que haja a exumação do corpo. A delegada já comunga desse entendimento", colocou Cavalcanti.

O advogado Ernesto Cavalcanti também levantou a hipótese de haver mais uma pessoa envolvida no crime, que teria atuado como mandante. De acordo com o advogado da família Falcão, o empresário deixou uma dívida de 20 milhões de reais, mas que o equivalente a 40% deste valor foi depositado pelo próprio Sérgio Falcão em um paraíso fiscal na Suíça. Mais um indício, de acordo com o advogado, de que o empresário deve ter sido assassinado e de que pode haver mais de uma pessoa envolvida.

A família também já indicou um nome para assumir as perícias. "Nós estamos pedindo que seja convidado o doutor Luis Eduardo Doria, perito do Instituto de Criminalística da Bahia, que é um especialista em locais de crime com chamuscas de sangue e, inclusive, participou do Caso Nardoni", apontou o advogado. A troca de peritos só pode ser feita caso o diretor da Polícia Científica permita.

Na segunda-feira (29), o advogado irá solicitar ainda a participação de um promotor de Justiça do caso. "Estamos pedindo ao Procurador Geral de Justiça que ele determine a presença de um promotor de Justiça de uma das varas do júri para participar ativamente deste inquérito", concluiu.

A assessoria de comunicação da Polícia Civil informou que a delegada responsável pelo caso, Vilaneida Aguiar, não vai comentar as declarações. Foi informado ainda que as solicitações do advogado quanto às perícias serão encaminhadas ao gestor do Instituto de Criminalística (IC), já que o delegado não tem competência para substituir peritos. De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), o gestor da Polícia Científica só vai poder se pronunciar sobre o afastamento do perito quando a solicitação for oficializada pelo advogado.

O caso

A morte de Falcão aconteceu em agosto e ainda existe a dúvida se ele cometeu suicídio ou se foi assassinado. O empresário tinha 52 anos e vinha atravessando sérios problemas financeiros em sua construtora. Ele foi encontrado morto no apartamento onde morava. Os peritos da polícia confirmaram que ele foi baleado no céu da boca e morreu na hora. De acordo com a família Falcão, não há possibilidade de o empresário ter cometido suicídio – a hipótese dos parentes aponta que ele teria sido assassinado por conta de dívidas.

Jaílson Gomes de Melo, um ex-policial militar e ex-segurança de Falcão, estava com o empresário na hora da morte e foi filmado pelas câmeras de segurança do Edifício 14 Bis saindo do apartamento com uma arma, momentos depois da morte. De acordo com a defesa, Falcão teria pegado a arma na cintura de Jaílson e se suicidado.

Fonte: G1 PE