A confirmação da punição de jogar com portões fechados na Libertadores revoltou a diretoria do Corinthians, que resolveu bater de frente com a Confederação Sul-Americana de Futebol pela maneira que a entidade organiza a competição.

Em entrevista na tarde desta terça-feira, o diretor de futebol Roberto de Andrade (foto) não mediu as palavras e mostrou toda a chateação do clube com a Conmebol. Depois de explanar sobre a dificuldade para organizar a viagem até a cidade de Oruro (BOL), palco da morte de Kevin e início de toda a confusão fora de campo, o dirigente detonou:

- Recebemos uma carta mal educada dizendo que tínhamos de jogar lá em Oruro. O regulamento tem validade até a página 2 e as decisões são políticas na Conmebol. Não tinha de jogar lá, não tem um aeroporto decente que leva pessoas decentes. Todos viram, o Corinthians foi punido. O regulamento é claro: "se entrarem com sinalizador no estádio, o clube pode ser suspenso". O estádio inteiro estava com sinalizadores, porque as autoridades não tomaram providências? Conclusão: a punição ao Corinthians foi em cima do artigo 11.2 do regulamento porque foi aceso sinalizador, e não por uma morte. Não fomos punidos pela morte, foi consequência da causa.

O dirigente corintiano aproveitou para citar outros exemplos de irregularidades em estádios durante a Libertadores deste ano:

- Tem de morrer alguém para ter punição? Precisamos exigir que se cumpra o regulamento. Se é valido para o Corinthians, tem de valer para todos. O estádio do San José tem de ser suspenso, o estádio do Millonarios... Há sinalizadores, pilha na cabeça do bandeirinha, isso tudo está no mesmo artigo que o Corinthians foi penalizado. Tem de morrer para a punição acontecer? Não fala em morte o regulamento. Até quando vamos suportar essas coisas? O que temos de fazer, nossa posição é de cobrar, exigir que as coisas funcionem conforme o regulamento, ou vamos rasgá-lo, não tem condição. No Atlético-MG e São Paulo teve a mesma coisa, o estádio inteiro com sinalizadores. A punição cabe por acender, não precisa morrer ninguém. Flu e Grêmio no Engenhão? Repleto de sinaliadores, alguma medida? Não.

Só porque morreu o menino. Estamos tristes, claro, mas não precisa esperar morte, vai morrer quantas pessoas?.

A metralhadora do dirigente corintiano continuou.

- A Conmebol é responsável pelo evento, aqui todo mundo acaba esquecendo. O Corinthians era visitante, não compete ao Corinthians colocar nossos funcionários para saber se entrava com bomba, granada. E se fosse? Tinha estrada, punição injusta, não que não merecesse pelos fatos apurados, mas e os outros? O regulamento só vale para a gente. Todos nós temos de fazer alguma coisa, temos de defender as pessoas. Nosso torcedor vai estar livre disso nos próximos jogos porque não vão ao estádio. E os outros? Sabemos que vai ter sinalizador hoje, amanhã. As pessoas têm de parar de se esconder a responsabilidade - disse.

- A gente recebe com tristeza, mas temos de acatar e cumprir a punição dada ao Corinthians. Precisou morrer um torcedor para tentar acertar as coisas no futebol, todos nós temos culpa, mas a única maneira é se a gente começar a falar, cobrar publicamente os responsáveis pelo evento. tem de ser responsável pelo evento, ou pune-se todos, ou ninguém. Dentro de campo vamos buscar os três pontos, fizemos de tudo para tentar reverter para dar direito ao torcedor que comprou ingresso. Mas certeza que vamos correr muito mais do que se o estádio tivesse cheio - completou.

O dirigente do Corinthians ainda explicou o aviso à Conmebol quanto à proibição de jornalistas entrarem no Pacaembu para cobrir a partida contra o Millionários, nesta quarta-feira, no Pacaembu.

- O regulamento não é claro. Ele fala que portões vão se manter fechados. No Pacaembu entram juízes, desembargadores, autoridades de todas as espécies e imprensa também.

Como não é claro, o que fizemos? Quem é que está proibido e quem está liberado? Nós citamos não só a imprensa, mas autoridades, juízes, desembargadores - afirmou Roberto de Andrade.

- Queremos que o regulamento seja cumprido, queremos que ela diga exatamente quem não pode entrar no estádio. Não quero incorrer no erro. É só uma dúvida por não ser claro o regulamento. Nós sabemos que o atleta tem de entrar, mas nossa dúvida é tudo que está em volta disso.

O Corinthians levou a decisão da Conmebol à risca. Nesta terça, o clube consultou a entidade e aguarda uma resposta para a autorizar a entrada da imprensa no Pacaembu. Por meio de uma nota oficiale em seu site, o clube disse que "com base na decisão da Câmara de Apelações da Conmebol", "apenas o presidente, a diretoria de futebol, os atletas e a comissão técnica poderão ir ao estádio do Pacaembu nesta quarta-feira".
Questionado se teve represália da Conmebol, inclusive das arbitragens, o dirigente disse que não...

- Exigir regulamento não é bater de frente, estamos cumprindo o regulamento, não é bater de frente, só quero que seja cumprido para todo mundo...Não estou batendo de frente com a Conmebol, só peço o mesmo peso da mão. Sofrer consequência por exigir o regulamento seria o fim do mundo, punido por arbitragem? Vamos ficar de olho - finalizou.