Segundo Ricardo Cabral, advogado que responde pela Gaviões da Fiel, principal torcida uniformizada do Corinthians, o clube paulista deve ter a punição revertida pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Em medida cautelar divulgada na última quinta-feira, a entidade proibiu a equipe de jogar no restante da Copa Libertadores da América com a presença de seus torcedores, sendo mandante ou visitante.

“Acreditamos que, com a confissão e a apresentação do torcedor, a Conmebol vai reavaliar essa situação e dar o que se aplica no Brasil: quando se identifica o autor do fato automaticamente o clube deixa de ser punido”, disse Cabral nesta segunda-feira, após comparecer à Vara de Infância e Juventude de Guarulhos.

Desde o início desta manhã, a movimentação da imprensa é grande no local à espera da chegada do adolescente cujas iniciais são H. A. M., 17 anos, que se apresentará nesta tarde. Ele assumirá a responsabilidade pelo disparo do sinalizador que matou um torcedor na partida entre San José e Corinthians, disputada na última quarta-feira em Oruro, pela Libertadores.

“Entendemos que, com essa atitude, a fiel torcida, a nação corintiana, possa vir a assistir ao jogo da Libertadores na próxima quarta-feira”, completou Cabral, que faz a defesa do menor no caso.

Nesta quarta, a partir das 22h (de Brasília), o Corinthians recebe o Millonarios, da Colômbia, no Estádio do Pacaembu, pela segunda rodada da fase de grupos da competição. A princípio, a partida deve ocorrer com os portões fechados para os torcedores, porém o clube paulista recorreu da punição junto à Conmebol e aguarda uma resposta.

H. A. M. em nenhum momento esteve entre os doze torcedores corintianos presos preventivamente em Oruro, acusados de envolvimento na morte do torcedor Kevin Espada, 14 anos, atingido por um sinalizador que teria sido disparado acidentalmente pelo adolescente durante a partida entre San José e Corinthians. Os times empataram por 1 a 1 no Estádio Jesús Bermudez, pela Libertadores, em Oruro, na última quarta-feira.

Devido ao incidente, o Corinthians foi punido pela Conmebol, em medida cautelar válida até que uma decisão final sobre o caso seja tomada, ou por um prazo de 60 dias. O clube brasileiro anunciou que recorreria da punição e teve cogitada a possibilidade de deixar a competição, hipótese que o presidente Mário Gobbi Filho descarta.

[Ricardo Cabral, advogado da torcida Gaviões da Fiel, compareceu nesta segunda-feira à Vara de Infância e Juventude de Guarulhos, onde o menor H. A. M., 17 anos, vai se entregar como autor do crime de Oruro. Foto: Bruno Santos / Terra]
[Ricardo Cabral vai acompanhar o menor que diz ser o autor do disparo do sinalizador que matou o torcedor Kevin, 14 anos, durante jogo da Copa Libertadores em Oruro, na Bolívia. Foto: Bruno Santos / Terra]
[Segundo Ricardo Cabral, apresentação do responsável deve ajudar na liberação de 12 torcedores corintianos que seguem presos em Oruro, na Bolívia. Foto: Bruno Santos / Terra]