O tráfico de pessoas, com ênfase na exploração sexual é antigo, vem desde o século passado. Mas, o tema voltou a ser destaque por conta da novela "Salve Jorge", da Rede Globo de Televisão, que entre outros temas, aborda o tráfico de mulheres para a Turquia, onde são obrigadas a se prostituir.
Diante da repercussão em todo o país, o Ministério Público Brasileiro tem como objetivo padronizar o combate ao tráfico de mulheres por todo o país. Sendo assim, o Ministério Público Estadual de Alagoas, assinou um terno de compromisso com o MP do RIo de Janeiro, seguindo uma resolução do Conselho Nacional de Procuradores.
De acordo com o procurador geral do MP em Alagoas, Sérgio Jucá, o desejo do MP brasileiro é unir as forças e combater de forma padronizada este crime que atinge principalmente as classes menos favorecidas.
"Muitas organizações governamentais, associações, empresas e grupos isolados criam iniciativas para combater este mau que assola não só o Brasil, mas o mundo inteiro. Mas, não se articulam. É preciso padronizar estas ações, para que seja possível evitar tais situações", disse.
COMO SERÁ O TRABALHO?
A publicação do termo de compromisso foi publicada na edição da última segunda-feira do Diário Oficial do Estado. Com isso, reuniões ainda serão realizadas para colocar em prática as operações para combater o crime.
Uma das armas principais para este trabalho pode ser a inclusão do Grupo Estadual de Combate as Organizações Criminosas (Gecoc), que, através das promotorias criminais do MP, deve estar em ação nos próximos meses.
TRABALHO CONJUNTO
Além das recomendações nacionais e de parcerias com MP's de outros Estados, o Ministério Público Estadual trabalhar em parceria com as Polícias Militar, Civil e Federal no combate prostituição e possivelmente o tráfico de pessoas.
Recentemente, a Polícia Militar promove operações em prostíbulos da capital e do interior, procurando a presença de menores de idade. Não encontrando, o funcionamento pode continuar, uma vez que prostituição não é crime ou contravenção penal.
Polícial Civil e Polícia Federal investigam pessoas e possíveis redes de prostituição infantil ou em último caso, uma prostituição forçada, que se caracteriza em trabalho escravo. Sendo assim, as denúncias serão de fundamental importância para que este trabalho funcione com mais agilidade e frequência.
O ato de denunciar, é considerado um ato arriscado pelas pessoas envolvidas, mas de grande valia para a Polícia. De acordo com Sérgio Jucá, o fato da maioria destes casos acontecer em famílias menos favorecidas, provoca o sentimento de medo.
"Muitas famílias que confiaram em pessoas de má índole, e hoje tem parentes vivendo no mundo da prostituição, mesmo sem querer,ficam com medo. As vezes não denunciam porque recebem dinheiro e principalmente com medo de represálias", afirmou.
CASOS EM ALAGOAS
O procurador geral do Ministério Público, Sérgio Jucá, destacou alguns casos que poderiam ter sido incluídos neste trabalho, caso já estivesse em prática. O caso de Coruripe e de prostituição em Paripueira.
"No caso de Coruripe, é o típico caso das meninas pobres, que se envolveram com pessoas de maior pode aquisitivo, por conta de um carro, de dinheiro e promessas e acabaram perdendo a vida. Em Paripueira, há uns dois anos, tivemos o caso de prostituição com turistas. Isso precisa ser combatido", criticou.
Quando se refere a Coruripe, Jucá fala do caso das meninas Maria Eduarda e Cíntia Santos, que saíram de suas residências para ir à farmácia e não mais retornaram. Elas foram vistas pela última vez nas imediações do Posto Liberal indo em direção ao Centro de Coruripe.
As amigas foram encontradas mortas dias depois dentro de uma mata localizada nas proximidades da Usina Guaxuma, no município de Coruripe.
Com relação ao caso de Paripueira, que aconteceu em 2011, um esquema de prostituição envolvia turistas italianos que usavam menores para a prática de sexo e uso de entorpecentes, com um estrangeiro sendo preso.
Mais recentemente, um caso que chamou atenção, da morte da jovem Franciellen da Rocha, 18 anos, que tem como principal acusada Vanessa Ingrid, posteriormente as primeiras investigações, mostrou um esquema de prostituição, com direito a um site estruturado de acompanhantes em Maceió e Arapiraca.
Diante das investigações, o delegado responsável, José Marcos, afirmou que ainda não existem pistas de que há trabalho escravo ou menores envolvidos, mas, que qualquer novidade nesse sentido, será investigada.
"A nossa prioridade é investigar o homicídio. Mas, se tivermos informações de novos crimes, envolvendo menores ou tráfico de pessoas, a delegacia responsável será informada e irá proceder com o caso", disse.
NÚMEROS
De acordo com dados da ONU e de várias ONG’s internacionais, o tráfico de pessoas representa hoje no mundo inteiro um grave problema, pois esse tipo de crime organizado, normalmente está ligado à exploração sexual, ao comércio de órgãos, à adoção ilegal, à pornografia infantil, às formas ilegais de imigração com vistas à exploração do trabalho em condições análogas à escravidão, ao contrabando de mercadorias, ao contrabando de armas e ao tráfico de drogas, num mundo que movimenta cerca de R$ 30 bilhões por ano.
BASE FAMILIAR
Apesar de reconhecer as dificuldades de uma família do interior ou de baixa renda na capital alagoana, o trabalho de prevenção deve existir antes e em último caso ser combatido pelas autoridades competentes, segundo Sérgio Jucá.
"O Ministério Público e as polícias estão aqui para combater esse mau. Porém, as famílias devem fazer um trabalho de prevenção em casa, educando e colocando na escola. Se uma família, mesmo que humilde consegue fazer isso, o número de casos tristes como esses, de certeza serão reduzidos", finalizou.









