O presidente da União dos Vereadores do Estado de Alagoas, Hugo Wanderley (PMDB), está na lista dos “peemedebistas” - há tucanos que também rezam por isto! - que torcem pela união entre o senador Renan Calheiros (PMDB) e o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB).
No dia de ontem, Calheiros e Vilela passaram o dia juntos e conversaram muito durante a visita feita às obras do “histórico” Canal do Sertão. Os holofotes peemedebistas trataram o encontro de uma forma diferenciada, inclusive em setores da mídia local, frisando uma “união” pelo “bem” de Alagoas.
É bem verdade que nos últimos projetos políticos-eleitorais Vilela e Renan Calheiros estiveram em campos opostos, mas não dá para tratar a aproximação dos dois como algo inédito e/ou surpreendente. Ora, historicamente, quando os dois eram senadores ambos construíram uma história siamesa; em ações e projetos.
Logo, se querem o bônus por uma possível união, saibam que também há o ônus, pois estavam juntos quando muitos dos projetos que prometiam que Alagoas seria a “terra do futuro” não vingaram, não aconteceram, não se fizeram. Claro que não é culpa exclusiva deles, mas já eram figuras importantes e influentes nas conjunturas que trouxeram Alagoas até aqui. Sempre foram!
Logo, a união que “fará muito” pela Terra dos Marechais - se ocorrer! - é a mesma união do passado, que esteve ao lado - inclusive como base de apoio no Legislativo federal - de outros governos.
O que se vende como novo, não traz novidade ao front.
O “lance da hora” é que a aliança - se de fato ocorrer como sonham peemedebistas e alguns tucanos - sinaliza para um cenário favorável de candidaturas sólidas e com condições suficientes para atropelar possíveis adversários ainda no tabuleiro.
Mas, o termo “adversário” em Alagoas é usado dentro de um contexto que provoca uma “semântica temporal”. Os adversários de hoje não são os de sempre. E os adversários de amanhã, podem ser os aliados de ontem. Que o diga o próprio Calheiros em relação a Vilela e vice-versa.
Afinal, Renan Calheiros tem um “amigo” no senado federal que é o senador Fernando Collor de Mello (PTB) (uma relação de idas e vindas) que não gostaria de ficar desamparado e sem perspectivas de contar com a totalidade da base aliada. Na verdade, esta totalidade para Collor se resume a ter o apoio de Calheiros em Alagoas. Pense numa sinuca de bico, como dizem no popular!
O senador Benedito de Lira (PP) - que também é colocado como nome para 2014, na disputa pelo governo estadual - pode se contentar - fazem as contas alguns - com uma aliança que o permita indicar o vice. O nome do deputado estadual Joãozinho Pereira - ligado a Lira - já circula neste sentido e, nos bastidores da política alagoana, nada é por acaso.
A torcida de Hugo Wanderley - portanto - é a “torcida” de muitos políticos com relações próximas tanto a Vilela quanto a Calheiros. Afinal, é uma torcida pelo cenário perfeito. É como pagar o ingresso para um jogo que se inicia nos vestiários e - quando os times entrarem em campo - com a perspectiva de ser W.O. Caso se confirme o cenário posto nos bastidores, resta saber quem vai ser escalado para combinar com o povo...
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