O presidente do Corinthians, Mário Gobbi, lamentou nesta quinta-feira a morte do torcedor boliviano Kevin Douglas Beltrán Espada, 14, durante o empate entre a equipe paulista e o San José, na quarta-feira, em Oruro (a 230 km de La Paz), pela fase grupos da Taça Libertadores da América.
Espada morreu após ser atingido por um sinalizador atirado pela torcida corintiana, segundo informou a polícia. Um canal de TV da Bolívia exibiu imagens que mostram o momento em que o sinalizador é lançado pela torcida do Corinthians que estava no estádio em Oruro. Não é possível identificar se é o artefato que matou o torcedor do San José.
"Presume-se que foi uma fatalidade, exceto prova em contrário, de que alguém identificado usou de um artíficio de fogos para, dolosamente, atingir outrem", disse o cartola.
"Ou você tem essa prova, de que fulano de tal usou um artíficio de fogos para atingir outrem, ou é uma fatalidade. O que eu tenho visto pelas redes, por jornais, com vídeos, é que me parece ter tido um acidente involuntário", completou.
"Tudo indica que trata-se de uma fatalidade. Não tinha clima hostil. Todos estavam vendo o jogo com tranquilidade", disse Mário Gobbi durante entrevista nesta quinta-feira.
"Não posso crer que alguém vai no jogo de futebol para matar o outro. Se eu acreditar em 1% nisso, tenho que sair do futebol", completou.
Gobbi negou também que o clube financia as torcidas organizadas. "O Corinthians tem uma relação com sua torcida igual aos outros clubes tem. É uma relação de respeito e dialogo. O Corinthians não participa de financiamento de viagens", afirmou.
O presidente também afirmou que não acredita que o clube seja punido pela Conmebol. Por causa da morte do torcedor, o Corinthians pode até ser eliminado da atual edição do torneio sul-americano, de acordo com o Código Disciplinar da Conmebol, criado no final do ano passado.
Pelo artigo 11 do código, "associações e clubes podem ser punidos por comportamento inadequado da torcida". Entre esses comportamentos está "usar sinalizadores, fogos de artifício ou qualquer outro artefato pirotécnico".
Já o artigo 18 define que as punições podem ir de multa de R$ 200 a R$ 200 mil até a exclusão da equipe na competição e perda de título.
"Punir um clube, seja qual for, por algo pelo qual ele não deu causa, acho que nós estaríamos cometendo, por causa de uma fatalidade, outra fatalidade. Ou seja, por causa de um acidente, nós vamos acidentar para vingar quem não deu causa", disse o cartola alvinegro.
Segundo um importante dirigente da Conmebol ouvido pela Folha, que pediu anonimato, a reunião que definiu os artigos do código disciplinar estabeleceu que a exclusão do clube em uma competição é para ser aplicada somente em caso de corrupção relacionada ao torneio ou abandono de campo.
Gobbi afirmou que também que a embaixada brasileira já está "prestando auxilio" aos torcedores que estão detidos na Bolívia.










