Os vereadores por Maceió retornaram às sessões legislativas no dia de hoje, 19 de fevereiro. Nos primeiros discursos, as costumeiras falas de defesa de ética no exercício do mandato e a revolta com as insinuações de negociatas e fisiologismo na Casa de Mário Guimarães entre o Executivo e o parlamento-mirim; como a indicação de cargos para formação de bancada e acordos envolvendo o orçamento que ainda aguarda votação.
Os bastidores políticos apontam para um entendimento entre o Executivo e o parlamento-mirim envolvendo justamente tais negociações. Não é segredo para ninguém - como nunca foi! - que os edis, historicamente, sempre tiveram acesso a indicações dentro da estrutura da Prefeitura Municipal de Maceió. Também não é segredo - repito: historicamente! - o quanto isto contribuiu para, em muitos casos, péssimos serviços ou até mesmo ingerências.
Um exemplo é a situação das unidades de saúde da capital alagoana, como este blog já falou várias vezes, quando estas se depararam com tais ingerências políticas. Mas, os vereadores por Maceió se sentiram incomodados com tais insinuações, envolvendo especificamente a votação do orçamento para este ano, e negaram que estejam negociando - de forma sistemática e fisiológica - cargos para compor uma “base bajulatória (expressão de Heloísa Helena (PSOL)” ou até mesmo votar de acordo com as “necessidades” do Executivo, como ocorrerá em breve quando entrar em pauta a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Um dos discursos mais fortes - neste sentido - foi do vereador Kelmann Vieira (PMDB). O peemedebista - que tem tudo para ser peça importante na bancada governista e na Mesa Diretora da Casa - disse que não faz parte de “jogos políticos”. Reforça que não usará o mandato para barganhar cargos com o Executivo. Que assim seja. Afinal, o que se espera do Legislativo mirim é total independência e harmonia, ao contrário da subserviência. Esta já existiu sim! Basta olhar de forma analítica as ações da legislatura passada. Resta saber se continuarão a existir. Até mesmo porque há vereadores novos e o prefeito é outro.
Vamos aguardar o andar da atual legislatura e os posicionamentos dos edis para então fazer a análise entre discurso e ato. Conforme bastidores, as negociações estariam ocorrendo por conta do orçamento (que só deve ser votado no final de março), mais especificamente em relação ao duodécimo. O prefeito Rui Palmeira (PSDB) busca o congelamento (R$ 50 milhões). Mas, parte dos edis querem buscar o teto constitucional, o que pode significar incremento de receita para o parlamento-mirim.
A negociação seria distribuição de cargos para prevalecer a vontade do Executivo. O líder do prefeito, Eduardo Canuto (PV), negou que isto esteja em andamento. Ele foi acompanhado por Dudu Ronalsa (PSDB) e Zé Márcio (PSD). Vieira foi ainda incisivo: “não vim lutar pelo poder”; e prometeu “sinceridade” no exercício do mandato.
Salientou que as citações sobre possíveis negociatas são injustas. De acordo com o peemedebista, o orçamento não foi votado devido ao remanejamento que está sendo feito pelo próprio prefeito e isentou a Câmara Municipal de demora no processo. Ainda é cedo para afirmar se os discursos encontram respaldo na realidade. Afinal, é óbvio que os edis negariam prática fisiológica quando estivessem “de cara” para a opinião pública.
O que revelará a verdade é o tempo: senhor da razão. Aí então saberemos se a atual legislatura terá comportamentos diferentes das omissões e subserviências do passado, que resultaram - só para lembrar! - no sepultamento da Comissão Especial de Investigação (CEI) da “máfia do lixo”. Lembram dela?
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