Ontem, segunda-feira de carnaval, assessorei mais uma agenda de trabalho do governador, tucano,Teotonio Vilela Filho, nos municípios castigados pela estiagem prolongada, que assola Alagoas. Diante do que vi, fiz a seguinte reflexão com teor jornalístico é verdade. Muitos acreditam que esta é a pior seca de todos os tempos, e talvez estejam certos, em função do drama e do sofrimento dos sertanejos mostrados diariamente na imprensa.
Mas, nada é comparado quando estamos ali, diante e debaixo do sol escaldante, na terra rachada que parece tremer com o forte calor. As barragens, barreiros, rios, nascentes e as plantações sucumbiram. Não bastasse a escassez e a busca pela água para a sobrevivência humana e animal, como garantir alimentação para o rebanho que morre como moscas?
No povoado Riachão em Minador do Negrão, conhecemos o produtor, Ary Barros, que revelou suas dificuldades diante de dezenas de carcaças. Ele, assim como milhares de criadores, acumula perdas de praticamente tudo que conquistaram durante uma vida inteira. São prejuízos que terão reflexos na bacia leiteira alagoana, setor considerável de nossa economia.
Para agravar a situação, a barragem do Limeira que abastece Minador do Negrão e Estrela de Alagoas simplesmente secou. O governador Teotonio Vilela Filho determinou que Casal e Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos adotassem as medidas necessárias para atender aos dois municípios como reativação da antiga adutora e ampliação do número de carros pipa...
De lá, direto para os povoados Rolas e Luciana, em Pariconha. Mesmo com seca devastadora, municípios sertanejos começam desfrutar dos benefícios do canal do Sertão, que já é utilizado para carros pipas, encher barreiros para o consumo animal e pequenos sistemas de abastecimento comunitário.
Moto bombas instaladas ao longo do canal é outra medida considerável porque estão diminuindo distâncias e aumentando o número de viagens dos caminhões-tanque que abastecem os povoados. Em função da distância entre algumas comunidades, muitos caminhões só conseguiam fazer uma viagem por dia. É o canal do Sertão que além de água farta, distribui esperança e lágrimas de alegrias por onde passa serpenteando o semiárido!
E a seca avança sem piedade também no Agreste. No interior de Girau do Ponciano, a paisagem não se diferencia em nada com a caatinga do Sertão. Lá, o prefeito Fabinho, fez um emocionado discurso contando em detalhes os problemas em seu município em função da seca. A maior necessidade? Água!. São discursos que engrossam o coro e o clamor de um povo que acima de tudo resiste a estas condições difíceis, que mais parece teste de sobrevivência.
Na próxima quinta-feira, a Associação dos Municípios Alagoanos reúne os gestores municipais em Pão de Açúcar para discutir medidas conjuntas que possam minimizar os efeitos da estiagem e melhorar a convivência das famílias sertanejas com a seca. Representantes de vários órgãos estaduais participarão do encontro. O Estado deve anunciar novas ações para socorrer municípios, conforme determinação do governador Teotonio Vilela, que garantiu ainda fazer interlocução junto a presidente, Dilma Roussef sobre a dívida dos produtores junto aos bancos.
E assim é a peleja do sertanejo, que sofre é verdade, mas que jamais perde sua fé, sua esperança e o brilho no olho. Certamente foram estes os motivos que levaram Euclides da Cunha descrever o sertanejo da forma que descreveu: "acima de tudo um forte".
Postado por Julio Cezar,especial para o Blog Bernardino










