O atendimento aos feridos no incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, ganhou mais um reforço nesta quinta-feira (7). A Secretaria Estadual da Saúde e o Hospital Universitário da cidade firmaram um acordo para instalação de um ambulatório fixo destinado a receber pacientes que necessitarem de atendimento médico. No entanto, ainda não há prazo para o início das atividades que darão seguimento aos trabalhos que já estão sendo realizados no município. Segundo o secretário Ciro Simoni, o auxílio a saúde mental e clínica dos envolvidos na tragédia seguirá por tempo indeterminado.

"Constituímos esse ambulatório para atender todas as pessoas que de alguma forma estiveram no local da tragédia, inalaram a fumaça e não foram hospitalizados. Para aqueles pacientes que foram internados e já receberam alta, esse espaço funcionará como um atendimento periódico e contínuo", explica o secretário ao G1. "E fica disponível também para todos que acharem necessário. Esse acompanhamento é importante para os dias futuros."

 Apesar da redução no número de pacientes internados, o prefeito de Santa Maria também anunciou nesta quinta que irá encaminhar um projeto de lei na Câmara de Vereadores pedindo a contratação emergencial de profissionais da saúde para o atendimento de feridos e familiares das vítimas. O ambularório será instalado no Hospital Universitário da cidade.

Pela manhã, a Secretaria da Saúde informou que 65 pessoas seguem internadas em quatro cidades gaúchas. São 39 em Porto Alegre, 23 em Santa Maria, dois em Canoas e um em Caxias do Sul. Dez receberam alta nas últimas 24 horas. Segundo a Força Nacional do SUS, foram realizados mais de 570 atendimentos psicológicos desde o início da força-tarefa.
Entenda

O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, deixou 238 mortos na madrugada do último domingo (27). O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco. De acordo com relatos de sobreviventes e testemunhas, e das informações divulgadas até o momento por investigadores:
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso.
- Era comum a utilização de fogos pelo grupo.
- A banda comprou um sinalizador proibido.
- O extintor de incêndio não funcionou.
- Havia mais público do que a capacidade.
- A boate tinha apenas um acesso para a rua.
- O alvará fornecido pelos Bombeiros estava vencido.
- Mais de 180 corpos foram retirados dos banheiros.
- 90% das vítimas fatais tiveram asfixia mecânica.
- Equipamentos de gravação estavam no conserto.