O senador Renan Calheiros (PMDB) - em seu discurso de posse - saiu com o seguinte aforismo: “a ética é meio, não é fim!”. A frase ecoa diante da quantidade de coisas que Renan Calheiros tem a explicar. Denúncias - a “requentada” e as novas - não faltaram. O homem forte de Murici pode ser inocente? Repito: “claro que pode!”.

É algo que a Justiça dirá. O tempo é senhor da razão e certos setores da esquerdopatia já sabem bem disto. Agora, como homem público, Renan Calheiros está sujeito aos questionamentos e óbvio às explicações sem subterfúgios. Afinal, transparência e representatividade é o que se espera. Se inocente for, o reconhecimento. Se culpado for, o que lhe cabe. Sem dois pesos e uma medida, como se tentou fazer nas comparações com Pedro Taques (PDT), que também deve suas explicações, ora bolas.

Esta lógica do pecado de um justificar a santidade do outro é um recurso maniqueísta deplorável.

Pois bem, a eleição do Senado Federal passou. Renan Calheiros ganhou. Ganhou e já começa a aparecer novas denúncias contra o peemedebista, vejam só! O que gera - imediatamente - a necessidade de novas explicações; até para que a verdade seja cristalina, sobretudo se a verdade for favorável ao peemdebista. Que pode haver, evidentemente. As denúncias versam sobre o uso de verbas de indenização do deputado federal Renan Filho (PMDB) para pagar advogados que atuam em causas pessoais e não na atividade parlamentar.

Os advogados atuam para “os Calheiros (pai e filho)” (isto mesmo: no plural!) segundo a reportagem. Renan Filho deu sua versão. Suas declarações puderam ser lidas na imprensa, para que o “e-leitor” e o cidadão comum possam fazer seu juízo de valor. Nada mais justo que um parlamentar ter espaço de defesa quando apontado em um suposto gesto irregular.

Pelo que se lê na imprensa, Renan Filho nega qualquer gasto indenizatório que não esteja associado a atividade parlamentar. Fala em consultorias e serviços de advocacia que todo deputado federal tem. Com as versões A e B visíveis, o leitor pode fazer seu juízo de valor.

Mas, o senador Renan Calheiros - cuja ética é o meio e não o fim - disse, em entrevista ao G1, que “felizmente não viu a denúncia”. Felizmente? Ora, Calheiros poderia e deveria se pronunciar sobre o fato. Afinal, já foi até acusado de usar verbas de seu gabinete para custear a sede do PMDB. Pode ser uma inverdade da reportagem? Volto a afirmar: pode! Aqui não se trata de prejulgar ninguém, mas de cobrar esclarecimentos de um senador da República que agora é o chefe maior de um dos maiores poderes constituídos.

Não cabe mais - como nunca coube! - a estratégia do silêncio para consolidar a vitória e a candidatura. Cabe esclarecimentos.

O que faz Renan Calheiros? “Felizmente” não liga! Por qual motivo? Será que é por já ter quem o defenda abertamente em redes sociais e na imprensa? Daí, nem precisa lê mais o que sobre ele é veiculado. Seria mais justo que o senador peemedebista dissesse: “ainda não li, mas assim que tomar conhecimento me pronuncio”. Em seguida, que até mesmo confirmasse a versão dada por Renan Filho.

Pareceu tratar com desdém assunto tão sério. Espero que não tenha sido. Afinal, a ética é um meio que deve nortear também às satisfações a serem prestadas por um homem público. A ética é um meio, mas o que não pode é o Senado Federal ser um meio sabe-se lá para qual fim.

Volto a frisar: não se prejulga Renan Calheiros neste texto, mas sim se questiona as mais recentes posturas, e só! No mais, é com a Justiça.

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