O vereador marinheiro de primeira viagem Wilson Júnior (PDT) não precisa temer isolamento na Câmara Municipal de Maceió como anuncia em entrevista concedida ao jornal Tribuna Independente. Afinal, a lógica manda lembranças ao edil e avisa: ele tem porta aberta com a turma, sobretudo na posição que ocupa na Mesa Diretora da Casa de Mário Guimarães. O isolamento temido só depende dele e de suas decisões pessoais no parlamento-mirim. Uma já foi: está no grupo da Mesa Diretora! A segunda: ser ou não ser (bem shakespeariano) da bancada governista, eis a questão!

o pedetista - como já dito por este Blog do Vilar - deve iniciar seus trabalhos na posição de “independência”, de “observador”. Ele definiu a si mesmo como “vereador coruja”, que quer dizer o mesmo, presumo eu. A entrevista foi concedida ao jornalista Cadu Epifânio que conseguiu extrair boas declarações do edil; diria até interessantes para que o público saiba como pensa o único representante do PDT na Casa.

Na legislatura passada, a sigla tinha dois: Paulo Corintho e Amilka Melo. Se comparado com Amilka Melo, Wilson Júnior deve ser bem mais eloquente. O pedetista já fala - mesmo cedo - em “sofrimento” pelo fato de ter cobrado dignidade. Em seu discurso, diz que sofrerá mais que os outros por isto. Entendo eu que os outros são os pares da Casa, que - na lógica do pedetista - devem sofrer menos ao cobrarem dignidade. É isso mesmo? Está dito pelo próprio Wilson Júnior.

Bom saber que há uma escala de sofrimento no parlamento-mirim quando o assunto é cobrar dignidade. Sempre suspeite disto.

O pedetista em sua primeira longa entrevista ainda esbanja boas intenções. Bem, que estas consigam encontrar a prática. Formular este casamento que é tão esperado pela população. Não só por parte dele, mas de todos os edis. Vale salientar que muitas vezes a distância entre a tese e a prática se dá pelo desconhecimento da função.

O que não falta é vereador prometendo o que não pode fazer por força da estrutura do próprio sistema. Afinal uma coisa é o Legislativo, a outra é o Executivo. Mas, Wilson Júnior - conhecedor que é - não vai esbarrar nestas barreiras, não é mesmo?

Sobre o processo eleitoral, mas uma vez Wilson Júnior confirma as suspeitas. Diz que não comprou votos. Que bom! Mas afirma que há quem não acredite nesta colocação. Sabe por qual razão? O próprio pedetista responde em entrevista a Tribuna: “porque todo mundo compra. Eu vi os cadastros sendo feitos”. Dentro deste todo mundo, estão colegas eleitos?

O novo vereador do PDT também diz temer ser “isolado politicamente” - como coloquei lá no primeiro parágrafo - pela “velha política”. Bem, não precisa temer. Afinal, nem começou os trabalhos, o edil já tem um lugar de destaque. Próximo da Mesa Diretora; e sendo cotado para a bancada governista; contando com a liberdade dada - segundo ele mesmo - pelo partido para decidir. Sem risco de isolamento.

Corre o risco apenas se não concordar com velhas práticas da Casa, acordos para votações, indicações de cargos, se rebelar contra ausência de explicações para as verbas indenizatórias e demais gastos da Câmara, se não quiser tratar Comissão Especial de Investigação (CEI) como moeda de troca com o Executivo, enfim...práticas que já existiram no passado e sempre esperamos que não se repitam no futuro. Aí sim, se a Câmara for para um lado e Wilson Júnior para o outro, é isolamento. Caso contrário, relaxa vereador! 

Estou no twitter: @lulavilar