Interessantíssimo o papel que o PMDB e o PSDB fazem em Alagoas ao evocarem para si “projetos” para o Estado de Alagoas. Quando o assunto é Governo do Estado um “grupo” tem surgido como alternativa ao outro, nos últimos debates, ainda que por meio de entrelinhas. Mas, qual a distância entre estes quando a análise é feita do ponto de vista histórico, ou então nos “microcosmos” da política local.

A resposta pode ser dada pela forma como as siglas conseguem se unir - apesar da oposição quando, repito!, quando o assunto é o Executivo estadual - em situações bem particulares. A disputa das prefeituras municipais - em 2012 - foi um exemplo disto. Em Palmeira dos Índios, por exemplo, o atual prefeito James Ribeiro teve o apoio tanto do senador Renan Calheiros (o maior cacique peemedebista em Alagoas) e do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB).

Em algumas outras localidades, a situação é semelhante. A mais recente união de “concepções divergentes” se deu em relação a disputa pela União dos Vereadores do Estado de Alagoas (UVEAL). Na presidência da entidade - como todos já sabem - está Hugo Wanderley (PMDB). Porém, o grande número de tucanos dentro da chapa colocaram lado a lado Renan Calheiros e Teotonio Vilela Filho mais uma vez. Os dois se encontraram no pleito da UVEAL.

Há quem diga que há sinalizações para uma possível aliança - ainda que “branca” - futura, caso Renan Calheiros dispute mesmo o Governo do Estado de Alagoas. Vale ressaltar: as especulações seguem em bastidores mesmo com o “apesar de Collor querer ser o senador de um chapão possivelmente liderado por Calheiros”. Uma coisa é certa: as divergências que hoje levam alguns peemedebistas ao discurso de oposição pode desaparecer - a exceção é o deputado estadual Olavo Calheiros (PMDB) por questões pessoais - em sabor das futuras alianças.

Um xadrez que - para 2014 - deve ser montado com total cautela. Principalmente pelo fato de PMDB e PSDB - em Alagoas - não andarem tão distantes assim, quanto pode parecer em um “ingênuo inconsciente popular” ou num “proposital discurso abençoado”. Vale lembrar do passado de nossa história. Renan Calheiros foi um dos fortes aliados de Vilela na primeira eleição ao Governo do Estado, até assistir aliados serem “navalhados” da estrutura da administração estadual. Foram aliados ainda em disputas anteriores pelo Senado Federal.

Na política, há muitos desmemoriados. Alguns, propositadamente desmemoriados. Há também os que não lêem de forma mais ampla o jeitinho com que os caciques se separam, se juntam e - em muitos casos - se amalgamam para disputarem pedaços do poder. O futuro dará as cartas das composições, mas que ninguém se espante quando a oposição não for tão oposição assim. Afinal, há bailes em que as siglas entram de mãos dadas e festinhas em que sentam em mesas separadas. Depende apenas do prato principal e de quem está no banquete.

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