É mais que óbvio que o senador Fernando Collor de Mello (PTB) - que está não só em campanha franca para o Senado Federal, mas com o projeto de “revitalizar” o próprio nome, para ter cacife até de mudar de planos na reta final - vai elogiar o senador Renan Calheiros (PMDB), além de indicá-lo -nas entrevistas- para o governo do Estado de Alagoas.
Ora, a estratégia é bem simples: Collor que construir uma aliança entre vários partidos, formando um chapão que garanta para ele mesmo um lugar bem confortável. Primeiro: que o PT esteja no grupo para garantir o apoio da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Assim, seria o Collor o candidato do Palácio do Planalto em Alagoas.
Segundo ponto: disputar o Senado Federal em uma chapa encabeçada por Renan Calheiros, que vem sendo o homem importante de Dilma Rousseff. A construção deste cenário é importante para o senador do PTB, que muito provavelmente vai enfrentar o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) nas urnas. São dois políticos com alta rejeição (com base nos números das campanhas passadas), mas ainda assim caciques de seu partido e com alguma influência no cenário.
O que sabe Collor? Do jeito “Téo Vilela de ser”. Calmo, desprezando o assunto eleição, deixando para depois, mas com a possibilidade de anunciar uma recomposição com Renan Calheiros. Sobre Renan e o xadrez político só é necessário uma palavra: pragmatismo.
Assim, as declarações de Fernando Collor na excelente matéria do blogueiro do CadaMinuto, Kleverson Levy, refletem o desejo do senador do PTB de adiantar um caminho que já se encontra em curso e passa pela aliança PTB/PT e PMDB. No Partido dos Trabalhadores de Alagoas, Collor já encontra morada e defensores. O presidente estadual do PT, Joaquim Brito, pode falar mais detalhadamente sobre o assunto, não é mesmo?
Dizem por aí que uma terceira via na disputa do Senado Federal - desde que não ameace ganhar o pleito - pode ainda ser benéfico para o próprio Fernando Collor de Mello, que teria um teto em seu eleitorado, no contexto atual. Bem, vale lembrar que nas conversas de bastidores falta só uma coisa: combinar com o povo.
Quanto a Renan Calheiros, este é cauteloso demais em suas declarações. Reflexo do PMDB ocupar papel estratégico e ter “coringas” para Plano A, B e C. Vale lembrar aqui - mais uma vez! - o nome do ex-prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, que pode ser candidato a qualquer cargo disponível em 2014 com o apoio de Calheiros. Collor tenta montar o xadrez ao seu gosto, mas está longe ainda de ter todas as peças, quiçá o tabuleiro.
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