Por Antonio Albuquerque – Deputado Estadual

Há lembranças em minha mente que irão me acompanhar até o último momento de vida. Instantes de alegria e de muita emoção em família, com amigos e nas caravanas pelo interior do Estado. Houve também ocasiões de profunda apreensão e muita dor.

Causa-me aflição até hoje a recordação daqueles dias dramáticos que passei na Unidade de Emergência do Agreste, vendo meu querido filho lutar desesperadamente pela vida, que balas desferidas covarde e brutalmente tentaram ceifa-la sem sucesso, graças ao Espírito Santo de Deus.

Como apagar da lembrança aquela manhã de sexta-feira, 11 de julho de 2008? Lá estava eu, em pleno mês de recesso parlamentar, cumprindo as obrigações de proprietário rural que também sou, quando me deparo com uma espetaculosa operação conjunta das Polícias Federal e Civil e da Força Nacional.

Todo aquele aparato, com direito a holofotes, foi industrializado para colocar algemas no deputado Antonio Albuquerque, que, naquela ocasião, presidia o Poder Legislativo Estadual. 

Foram 19 dias vivendo como prisioneiro político no quartel do Corpo de Bombeiros, lá no Trapiche da Barra. Com base na palavra extemporânea de um apenado, que contabiliza um século de cadeia, fui arrolado como um dos supostos autores intelectuais da morte de um ser humano. Precisou uma atitude do Supremo Tribunal Federal para restabelecer a legalidade e me devolver ao convívio familiar. 

Quatro anos e cinco meses depois, a mais alta Corte de Justiça do meu Estado, sob a relatoria do eminente desembargador José Carlos Malta, rejeita, por unanimidade, a denúncia que havia sido a mim imputada. Até o representante do Ministério Público Estadual considerou a fala do meu acusador irrelevante e sem credibilidade. 

Da acusação formal recebi a alforria, mas quem vai retirar as algemas que foram sucessivamente colocadas em minha reputação ao longo desse tempo? Manchetes de diários se revezaram com folhetins semanais, textos de blogueiros e noticiários eletrônicos, sempre me rotulando de “conspirador”, “líder de trama”, “mandante” e outras tantas adjetivações desairosas. 

Como reparar o dano que me foi causado? E o constrangimento vivenciado por meus familiares? Por que as autoridades constituídas levaram em conta a tal acusação, tão frágil como uma bolha de sabão? Torna-se um imperativo refletir profundamente sobre esse caso, pois, a despeito da peremptória decisão do Tribunal de Justiça, ainda me sinto aprisionado pelo turbilhão de aleivosias e ofensas que ainda mantém injustamente algemado o meu sentimento.