Após mais de 12 horas de julgamento, o juiz Geraldo Amorim anunciou na noite desta terça-feira (15), a sentença dada pelo júri aos réus Carlos Eduardo Souza e Wanderley Nascimento, acusados de sequestrar e matar o estudante Fábio Acioli, em agostos de 2009. Os réus foram condenados a 23 anos e quatro meses de prisão, inicialmente em regime fechado.
A pena aplicada foi de 26 anos e 4 meses, mas como os réus já tinham cumprindo três anos detenção, houve a redução do tempo. Após leitura da sentença, os familiares do estudante ficaram emocionados.
Mesmo com a condenação, Carlos Eduardo e Wanderley Nascimento afirmaram ser inocentes. “Nós estamos pagando por um crime que não cometemos. Nós estamos sendo condenados injustamente”, afirmou Carlos Eduardo.
Ao ver as lágrimas da mãe do estudante, o réu Wanderley Nascimento disse, “a mesma dor que a senhora está sentido, a minha vó também está sentindo. Nós não cometemos esse crime, pode acreditar”.
A família preferiu não falar com a imprensa, mas uma frase dita pelo pai de Fábio chamou a atenção. “Eu acredito que não foram vocês”.
A mãe do estudante se emocionou quando o promotor José Antônio Malta Marques disse “a família nunca mais vai ver o Fábio, nunca mais vai ver aquela imagem dele sentado no lugar em que ele mais gostava”.
Defesa tenta adiar julgamento
O defensor público Ryldson Martins, que atua na defesa dos acusados, tentou o adiamento do julgamento do caso, mas teve o pedido indeferido pelo juiz que preside o júri, Geraldo Amorim, da 9ª Vara Criminal da Capital.
A alegação do advogado era de que duas testemunhas consideradas importantes para a defesa não foram encontradas para prestar depoimento durante o julgamento.
Policial confirma participação dos acusados
O policial civil Luciano Pereira foi a primeira testemunha a ser ouvida pelo Juiz Geral Amorim. O depoimento do agente foi de suma importância para o julgamento, já que na época do crime, ele atuava como chefe de operações da Delegacia de Homicídios e esteve comandando investigações sobre o brutal assassinato do jovem.
Pereira confirmou que a prisão dos réus Carlos Eduardo e Wanderley Nascimento aconteceu graças uma denúncia anônima. Segundo Pereira, testemunhas que estiveram com o estudante no dia do desaparecimento reconheceram os réus como sendo as pessoas que sequestraram Fábio Acioli: o garçom Marco Aurélio e o funcionário público Rafael Cícero de França, que morreu no ano passado vítima de um AVC.
Durante o depoimento, o agente confirmou que o garçom Marco Aurélio passou um bom vivendo de maneira itinerante, para não desaparecer durante as investigações e chegou a ser incluído no Programa de Proteção às Testemunhas.
Marco Aurélio pediu para sair do programa e desde então não é mais visto em Alagoas. “Era ele a pessoa que mais passava informações à polícia. Fazia a segurança dele e sempre conversávamos bastante”, colocou Pereira.
Geraldo Amorim ainda questionou se na época do crime, Marco Aurélio chegou a citar um possível autor intelectual, mas de acordo com Luciano Pereira, o garçom nunca confirmou um nome, mas como convivia com Fábio Acioli chegou a citar nomes de várias pessoas, inclusive empresários alagoanos. Marcos Aurélio não foi localizado para participar do julgamento.
Os réus negam o crime
Os réus Carlos Eduardo Souza e Wanderley Nascimento Ferreira usaram vários álibis para negar a participação no crime. Em depoimento, Carlos Eduardo afirmou não conhecer o jovem e garantiu que no dia do crime estava bem longe de Maceió.
Carlos Eduardo contou ainda que, juntamente com Wanderley Nascimento e outras duas pessoas, trabalhava revendendo perfumes – produtos vindos de São Paulo – e morava numa residência alugada no município de Olho D’Água das Flores. A ideia para alugar uma casa em Maceió teria surgido devido ao ‘crescimento nos negócios’.
O réu disse ainda, de forma tranquila, ter provas de que no dia do crime não estava em Maceió. O réu disse que, em 09 de agosto de 2009, dois dias antes do sequestro de Fábio Acioli, estava em Paulo Afonso, onde buscaria mercadorias junto à distribuidora, fato que teria sido registrado pelas câmeras de segurança da empresa.
No mesmo dia, Carlos Eduardo teria machucado o braço num parque aquático e chegou a dar entrada num hospital para ser medicado. Já no dia 11 – quando aconteceu o crime – somente teria deixado a residência para ir ao hospital em Santana do Ipanema, retornando a Maceió apenas no dia 13.
Ele, por inúmeras vezes, alegou inocência e durante os questionamentos do promotor José Antônio Malta Marques, representante do Ministério Público no caso, relembrou que na reconstituição do crime, o funcionário público Cícero Rafael – uma das testemunhas do caso e que faleceu em novembro do ano passado vítima de um AVC – disse que não ter certeza de ele seria a pessoa que abordou Fábio Acioli em Cruz das Almas.
A defesa
O defensor público Ryldson Martins, durante sua defesa, afirmou que não existe no inquérito policial e no processo nenhuma prova que ligasse o empresário alagoano, apontado pelo garçom Marco Aurélio, com o estudante Fábio Acioli, e também aos réus. “Não existe nenhuma ligação. Durante a própria acareação entre o empresário e os acusados não foi encontrado nenhum elemento que encontrasse a ligação entre eles”, afirmou o defensor.
Segundo Martins, a principal testemunha foi intitulada como “mentiroso nato”, pela sua mulher. “Segundo ela, o garçom mentia com qualquer coisa”, completou. O defensor questionou ainda a forma como foi conduzidas investigações, garantindo que a linha de investigação da Polícia Civil do estado foi conduzida de forma “equivocada”.
“Essa história está muito mal contada. Os responsáveis por esse crime estão impunes e continuaram gozando da Polícia, que não foi eficaz em apontar os verdadeiros autores, e gozando também da sociedade”, concluiu.







