O PSOL elegeu dois vereadores, no ano de 2012. Heloísa Helena (foi reconduzida ao cargo como a mais votada) e Guilherme Soares. Ambos assumiram hoje. Votaram contra todos os membros eleitos à Mesa Diretora, dando demonstração clara de uma postura de oposição. Mas, não formam uma bancada (no sentido da unidade que a palavra tem). Não é para esperar sinergia. Um repeteco do que aconteceu com Heloísa Helena e Ricardo Barbosa (que depois saiu para o PT) quando eleitos pelo PSOL em 2008? Bem, é uma resposta que só o futuro dará.

Por enquanto o fato é este: dois vereadores do mesmo partido, mas longe do conceito de bancada. Heloísa Helena assumiu com o discurso que era esperado. Teve o direito a falar pelo partido e ressaltou que nem vai pertencer - bem ao seu estilo! - “nem a bancada bajulatória, nem da extorsão” do prefeito Rui Palmeira (PSDB). Fez questão de frisar o termo independência.

“Votarei favorável e o prefeito terá o meu apoio para tudo o que for bom para Maceió. Agora, o que não condiz com a minha forma de pensar e que representar aquilo que está nos esgotos da política, não conte comigo”, colocou ainda. Heloísa Helena - em conversa com este blogueiro - voltou a classificar o processo eleitoral passado como “sujo” ressaltando a mácula da compra de votos. “Mas, tenho esperança. Somos motivados por esperança e que tanto o prefeito quanto os vereadores estejam a altura de ajudar a cidade de Maceió”.

Citou temas específicos que devem ser o norte de seus primeiros discursos na Casa: ações sociais visando o combate à criminalidade e a busca por melhorias na Saúde. Os temas nortearam muitos dos discurso da psolista também durante os quatro últimos anos.

Guilherme Soares também terá a postura de independência. Ao falar com este blogueiro, colocou que pretende seguir o estatuto do partido PSOL, sendo um soldado do que ressalta o regimento. Soares se mostrou atento a questão partidária e disse que ainda não teve a oportunidade de sentar e conversar com Heloísa Helena sobre algumas posições coletivas futuras.

Não discursou, porque foi um representante por partido. Mas, falou de sua primeira ação como vereador: os votos contrários aos membros da Mesa Diretora. “Votei contra por seguir o que é pensamento do partido. O momento não foi oportuno para o PSOL lançar uma candidatura (nem que fosse de protesto). Não pude conversar com a vereadora Heloísa Helena”, salientou.

Objetivo e direto, comentou o processo que vem enfrentando dentro da agremiação, quando foi acusado (ainda que sem provas, ao que tudo indica) da compra de votos. “O meu nome foi encaminhado ao Conselho Nacional e estou aguardando ser ouvido”, frisou. Guilherme Soares - da primeira vez que falou sobre o assunto - frisou a campanha que fez como limpa e que colocava seu nome para lutar em benefício da população maceioense.

O estilo de Heloísa Helena já é conhecido. O de Guilherme Soares? Bem, é preciso que comecem os embates na Casa. Que este possa contribuir também no campo da oposição. Afinal, um dos papéis fundamentais do parlamento-mirim é o da fiscalização. Este - quase sempre - fica bastante prejudicado pela forma como se sustentam, historicamente, as bancadas governistas. Que o diga a famosa Comissão Especial de Investigação da máfia do lixo, que foi sepultada sem que ninguém quisesse saber se o prefeito Cícero Almeida (PSD) era inocente ou culpado. Uma prova viva de como a Câmara - quando lhe convém - é capaz de passar cheque em branco para o Executivo.  

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