O governador do Estado de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), não é o único a produzir cenas inusitadas com o apoio que deu ao ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT). Por aqui, o PT também promove fatos no mínimo curiosos no parlamento-mirim. Na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Maceió - que se deu cargo por cargo - o vereador petista Cléber Costa votou para a vice-presidência na vereadora Tereza Nelma (PSDB).
Vejam bem, entendam! A votação era cargo por cargo. O que significa dizer que - se quisesse - Cléber Costa poderia ter votado em Francisco Holanda Filho (PP) para a presidência da Casa, ou se abster ou votar contrário a Teresa Nelma (PSDB) para a vice-presidência. Mas para que serve mesmo questões partidárias hoje em dia, não é mesmo? Sendo assim, o petista foi um dos 19 votos que confirmaram Nelma em seu novo cargo.
Nada contra Teresa Nelma, muito menos contra Cléber Costa. Total respeito por ambos. A questão aqui é só o inusitado, pois PT e PSDB são divergências ao extremo no cenário nacional. Muitas vezes, ambos caem - os partidários e militantes - até em discursos maniqueístas colocando um como o bem e o outro como o mal e vice-versa, dependendo apenas do interlocutor. Se Costa tem a bênção do partido para dar o voto que deu, eu não sei. Mas, o fez!
Questionei Cléber Costa sobre o assunto. Ele me disse que estava votando no PP - de Chico Holanda - porque este estava alinhado com o governo Federal, apesar de sua ligação local ser com o PSDB. Disse que não fazia parte de bancada governista, mas que teria uma postura de independência na Casa de Mário Guimarães em prol de projetos que promovam o bem para a população.
Sobre o voto em Teresa Nelma, frisou: “entendo como uma aliança necessária esta composição para a Mesa Diretora, para garantir a governabilidade. Não significa que meu voto seja uma mudança de ideologia ou ir de encontro ao partido. É um voto de confiança. Não queremos começar com arestas. Não significa que eu vá para a bancada governista do atual prefeito”. Mas é inegável que em um primeiro momento temos um petista “não tão petista” (se levarmos em consideração a forma como os partidos dividem o cenário político) na Casa de Mário Guimarães.
O que pode até ser bom, pois não reduz as discussões a uma mera divergência partidária, mas que - ao mesmo tempo - não deixa de causar estranheza.
Afinal, ao seu coligar e disputar a eleição, Costa abraçou um projeto diferente do que o que está aí agora. Aos dois - tanto a Nelma, quanto a Costa - é de se desejar bons mandatos. Claro que é! Não se torce jamais pelo quanto pior melhor. Se torce para que tenhamos um Legislativo que represente a população e seus anseios. E ambos tem plenas condições de fazerem bons mandatos.
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