Vejam vocês, caros leitores, as “coincidências” que rondam a política alagoana. Quando o ex-vereador Francisco Holanda (PP) assumiu - há alguns anos - a presidência da Casa de Mário Guimarães substituiu Galba Novaes de Castro (no caso o pai do ex-presidente da Câmara Municipal de Maceió, Galba Novaes (PRB), que agora elegeu o filho Galba Novaes de Castro Neto (PMDB)). O prefeito na época? Guilherme Palmeira que é pai do atual prefeito Rui Palmeira (PSDB).
A ciranda histórica - como frisou o próprio novo presidente da Casa, Francisco Holanda Filho (PP) - nos leva ao quadro de hoje: Francisco Holanda assume a presidência da Casa no lugar de Galba Novaes, que deixa o filho no parlamento-mirim. O prefeito? Como já disse lá em cima: Rui Palmeira (PSDB). Claro que há uma dose de coincidência, mas também uma dose - maior ainda! - de reflexão sobre o quanto os destinos de Alagoas sempre esteve nas mãos das mesmas famílias.
Os mandatos hereditários - que não são exclusividade de Alagoas, evidentemente - que viram, em alguns casos, verdadeiros feudos políticos. Evidente que é preciso analisar casos a casos. Por exemplo, a avaliação positiva - como deputado estadual e federal - que trouxe Rui Palmeira à Prefeitura Municipal de Maceió fez com que tivesse sua imagem dissociada de seu pai.
O mesmo tem acontecido com o parlamentar João Henrique Caldas (PTN), que é filho do ex-deputado federal João Caldas (PEN). O jovem parlamentar também conseguiu - com as ações na Assembleia Legislativa - formar um conceito diferente daquele que a opinião pública sustenta do Caldas-pai.
Casos não faltam em Alagoas: Renan Filho (PMDB) e Renan Calheiros (PMDB): deputado federal e senador; Arthur Lira (PP) e Benedito de Lira (PP), também federal e senador...e por aí vai. Nem sempre há mudanças, mas apenas uma passagem de bastão para consolidar o “mandato hereditário”. Atualmente, em virtude das legislações, apenas o mandato. Mas, em um passado antigo - na ausência de concursos públicos - esta prática fez loteamento em órgãos. É só pegar folha de pagamento da Câmara, do Tribunal de Contas e por aí vai...surpreende a “listagem familiar”
Um contexto que merece reflexão. Claro que as pessoas são diferentes e - inicialmente - é preciso que se inicie um mandato para poder falar de seu detentor. Por esta razão, o que se deseja neste momento é que Francisco Holanda Filho consiga ter sua própria assinatura à frente do Legislativo municipal e possa contribuir com este poder que - historicamente - pecou pela ausência de transparência, pelo distanciamento dos anseios de uma sociedade e da população que deveria representar. Um pode que ficou conhecido - infelizmente - por pouco fiscalizar, além barganhar demais com o Executivo resultando em um fisiologismo que é visto - pasmem! - com naturalidade, hoje em dia, por alguns.
Por isto, para Francisco Holanda Filho o desejo de boa sorte e que saiba lidar com as críticas e com as análises que devem surgir pautadas pela honestidade intelectual. Assim, como com os aplausos e reconhecimento quando merecidos.
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