Meus caros,
Estamos nos preparando para mais uma passagem de ano, na companhia daqueles que amamos e com as mais variadas promessas. É importante, sem sombra de dúvidas, focar em dias melhores, alimentar os passos com otimismo, mas sem perder o senso crítico. Afinal, enquanto criaturas imperfeitas estamos sempre lidando com os limites destas imperfeições, mas buscando o melhor de nós mesmos. Tem que ser este de fato o nosso horizonte. O que nos motiva na jornada da existência, para fazer do ato de existir o viver plenamente.
O final de ano é justo que seja - para além de uma festividade, uma confraternização - um rito de passagem que nos leve a reflexão sobre os nossos atos, sobre o que fomos, sobre o que somos e sobre o que podemos ser. Como diz o filósofo francês Henri Bergson: “tudo muda sobre um fundo de permanência”. Então, mudemos sempre para melhor, buscando o melhor de nós mesmos. Tenho otimismo da vontade, apesar de me deparar muitas vezes com o pessimismo da razão.
Mas, este otimismo mantenho. Utilizo os ritos de passagem para refletir sobre eles. São vários durante o ano. Nossos aniversários de vida, de casamento, dos filhos, enfim...nossos próprios ciclos e os ciclos que nos colocam em irmandade. Esta irmandade nos permite a pensar em um bem comum, em nossas andanças, em nossas mudanças, em nossas convicções e crenças. Na busca por justiça, principalmente. Um mundo mais justo. Quantos nos inspiraram a isto. E o mundo melhor começa em casa. Mensagem muito bem posta por Hebert Vianna na canção Vamos Viver: “Vamos consertar o mundo/ Vamos começar lavando os pratos/ Nos ajudar uns aos outros/ Me deixe amarrar os seus sapatos/ Vamos acabar com a dor/ E arrumar os discos numa prateleira/ Vamos viver só de amor/ Que o aluguel venceu na terça-feira”.
A metáfora colocada em canção é genial. Então, que venha em paz o que o futuro nos reserva. Que saibamos sempre aproveitar da melhor forma este milagre - independente de crenças - que é a existência. Uma curta passagem pela qual deixamos sempre alguma obra, pela qual atravessamos jornadas, rios, obstáculos que estão sempre a nos ensinar sobre nós mesmos e sobre o mundo. Resta saber, a cada reflexão, o quanto estamos dispostos a aprender.
Por fim, encerro com um pensamento de Heráclito: “um homem não pode entrar duas vezes no mesmo rio, porque na segunda vez em que entrar, o homem já não é o mesmo, e o rio também não é o mesmo”. Logo, quem será você nos rios que virão? De coração, desejo sorte e luz na travessia.
Obrigado pelo carinho de sempre, pela forma como acompanharam o meu trabalho neste ano de 2012. Grato por fazer parte desta maravilhosa família que é o CadaMinuto. Saibam que de minha parte, buscarei sempre - a cada ciclo, rito de passagem - ser melhor. Não quero ser melhor do que ninguém, mas sair de cada rio metafórico de Heráclito melhor que eu mesmo. Feliz Ano Novo a todos vocês.
Lula Vilar
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