Ruas vazias, lixo acumulado, sinais de destruição e um clima de tristeza. Assim era o cenário em torno da sede da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), destruída na última quinta, deixando uma agente da Polícia Civil morta, quatro feridos, comerciantes no prejuízo e moradores sem casa.

Tarde domingo e o movimento de carros e pessoas que já é pequeno na Ladeira dos Martírios, Rua dos Bandeirantes e Comendador Palmeira, todas cercam a sede da Deic, mostravam um clima de apreensão e poucos que se arriscavam a ficar em suas portas como é habitual.

Num local que antes era cercado por viaturas e agentes da Polícia Civil em volta, apenas alguns agentes que faziam a segurança do local, impedindo a entrada de curiosos e da imprensa. No entanto, o fato da Deic estar totalmente destruída, forçava os agentes a ficarem desalojados no imóvel ao lado, justamente a empresa Microlins, que também foi destruída pela explosão.

 

Em conversa com poucos moradores que ainda comentavam sobre o assunto que irá durar pelos próximos dias, meses e até anos, a reportagem do CadaMinuto recebeu a informação de que alguns caminhões de mudança, desde a última sexta-feira, faziam o transporte do que sobrou dos móveis de algumas residências destruídas.

Por sinal, a Defesa Civil, que no dia seguinte à explosão, fez avaliações nas casas atingidas, condenou duas moradias, uma que estava para alugar e na qual os moradores tiveram de seguir para a casa de parentes, depois de 30 anos morando no mesmo local.

Segundo o servidor estadual da educação, Celso da Silva, morador que teve a casa danificada numa intensidade menor, as pessoas da região ainda estão perdidas quanto aos próximos dias.

“Assim como vieram na minha casa, foram na casa de outros, mas a gente não sabe se vão pagar mesmo. Tiraram fotos, fizeram cadastro, mas, só Deus sabe o que vai acontecer”, disse o morador, que teve portas e parte do teto da casa danificados, se referindo ao trabalho do Serviço de Engenharia de Alagoas (Serveal), que analisa os danos para posteriormente iniciar o processo de pagamento.

 

Justamente esse processo de pagamento que deve ser longo, forçou o governo a conceder aos prejudicados uma linha de crédito, principalmente para os comerciantes da área. No entanto, a proposta ainda não tem sido bem vista.

“Desde que aconteceu o acidente eu já estou no prejuízo. Esse período de festa eu conseguia apurar um bom dinheiro, mas esse ano eu estou tendo que gastar. Fica difícil e ainda temos linha de crédito para ter que pagar depois. Eu preciso do meu estabelecimento de volta”, disse Juarez Andrade, que junto com a esposa tem uma pequena produção de doces e salgados.

 

Como se não bastasse todos os problemas aparentes, o “pós-tragédia” ainda preocupa e assusta os moradores. O lixo que se acumulou por conta da explosão, misturando papéis, muito areia e entulhos, se espalha pelas ruas e gera reclamação dos moradores que pedem que a prefeitura promova a limpeza dos locais.

Outro problema que tem assustado é a presença de moradores de rua e vândalos que estão se instalando na região, principalmente no Parque Gonçalves Lêdo, que une os bairros do Centro e Farol, ficando por trás da Deic e também uma residência abandonadana Rua dos Bandeirantes, tentando roubar casas e catar qualquer tipo de material que sobrou da explosão e que seja possível vender em ferro-velho.

 

 

Em resumo, a região atingida pela explosão da Deic, em sua maioria formada por estabelecimentos comerciais e residências antigas, pedem socorro, não apenas pelo medo e pelos danos causados, mas também pelo fato de não terem de deixar suas residências, construídas ou adquiridas há muitos anos.