Foram seis anos de gestão, um estilo de comando colocado à prova, conquistas, insucessos e por fim uma polêmica que pode ter manchado não apenas um grupo, mas ter separado advogados que antes eram aliados e hoje se tornaram desafetos.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seccional Alagoas, Omar Coelho de Mello, fez um balanço da sua gestão e explicou o que de fato aconteceu na turbulenta eleição da Ordem no Estado, sem dúvida a mais disputada e falada de todos os tempos.
Omar Coelho atuava como procurador, mas se afastou da posição em 2002, para se dedicar à carreira na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Alagoas. Depois de passar por várias posições dentro da Ordem, Omar substituiu o próprio pai, Marcos Bernardes de Mello na presidência. A partir daí, foram anos considerados movimentados por conquistas e algumas polêmicas, que o próprio presidente afirma que já esperava e não se arrepende de ter enfrentado.
"Logo que assumi enfrentei uma dificuldade porque muitos falam em "Dinastia Mello", já que eu substitui meu próprio pai, com quem trabalho até hoje em nosso escritório jurídico. Mas, se eu quisesse seguir à frente da ordem, precisaria superar isso", disse.
Em entrevista ao programa "Painel CBN" da Rádio CBN Maceió, 104,5 FM, Omar fez um balanço da sua gestão e tocou em pontos críticos, principalmente sobre a recente e polêmica eleição da OAB.
Gestão
A seccional alagoana da OAB já teve grandes nomes à sua frente. De José Quintella Cavalcante, o primeiro presidente, até Marcos Bernardes de Mello, o último antes de Omar, passando por Cyridião Durval, Afrânio Lages, Marcelo Lavenere e Marcelo Teixeira, a entidade ganhou um estilo tradicional de comando, mas precisaria ser renovada a cada gestão, uma missão que Omar Coelho teve de assumir e conduzir.

"Grandes nomes passaram pela presidência da OAB e eu precisava dar continuidade a isso, precisava manter a tradição e renovar a ordem. Tivemos de modificar a parte administrativa, porque a OAB interessa não apenas a classe, mas a própria sociedade", disse.
Os seis anos de gestão proporcionaram benefícios estruturais e de pessoal para a Ordem em Alagoas. Atualmente, a sede da OAB funciona no Centro da Cidade, mas o prédio é considerado por muitos antigo e pequeno para o crescimento da categoria.
Por isso, está sendo construído em um grande terreno pertencente à própria OAB, onde já funcionava o clube da classe, a nova e moderna sede da OAB, que na primeira etapa contempla a área administrativa, a qual está ocupando um terreno de 2 mil metros quadrados e quando tiver totalmente finalizada, terá 3 mil metros quadrados, tamanho semelhante a OAB do Estado de São Paulo, uma das maiores do Brasil.
Além da sede na capital alagoana, a ordem adquiriu um terreno de 5 mil metros quadrados em Arapiraca, na qual o projeto já foi entregue, além das melhorias e inaugurações nas cidades de Santana do Ipanema, São Miguel dos Campos e Palmeira dos Índios.
Segundo o presidente, todas essas melhorias foram possíveis graças a Caixa de Assistência da própria OAB. Além disso, o dinheiro de caixa conseguiu sanar um débito de R$ 3 milhões que a OAB Alagoas tinha com vários setores e o novo presidente Thiago Bomfim irá, segundo Omar, encontrar uma situação estável.

Crescimento da Classe
A evolução e crescimento das sedes da classe, se deram por conta da renovação que está acontecendo, uma vez que o número de advogados cresceu de forma considerável nos últimos anos.
De acordo com números da própria OAB, quando assumiu, Omar Coelho encontrou um quantitativo de 8 mil advogados em atividade, mas, com a importância que foi dada ao curso de direito nas faculdades e universidades e para a prova da Ordem, este número cresceu em quase 4 mil. Ou seja, quando a nova gestão assumir, entregando novas carteiras da Ordem, cerca de 12 mil advogados estarão em atividade no Estado.
Legado
Durante o processo eleitoral deste ano, que reuniu grandes nomes da advocacia do Estado, como Cláudia Amaral, Marcelo Brabo, Welton Roberto, Rachel Cabus e o vencedor Thiago Bonfim, muitos slogans eram apresentados, como "Renova OAB", "Mais OAB", "Prerrogativa é a Ordem". Diante dessas amostras, a reportagem questionou o presidente se esses slogans demonstraram fraquezas da OAB em Alagoas.
"Não acredito que deixamos a desejar, por conta dos slogans das candidaturas da eleição 2012. Nunca houve um período em que o advogado esteve tão protegido quanto na atual gestão. Atritos entre advogados, promotor, magistrado, procurador sempre vai acontecer.O momento eleitoral permite esse tipo de cenário. Ninguém reclamava antes, mas na campanha, sempre acontece. Todos eram praticamente do mesmo grupo até o pleito", afirmou.
Inadimplência
A inadimplência dos advogados em Alagoas nunca foi tão comentada e "importante" como neste ano, durante a disputa eleitoral. A anuidade que deve ser paga por cada filiado, que gira em torno de R$ 600, ainda tem um número grande de inadimplentes, mas diminuiu nos últimos anos. O ápice dos débitos atingiu a casa dos 50%, ou seja, metade dos advogados alagoanos não estavam em dia perante a OAB. No entanto, um trabalho de conscientização e cobranças reduziu este número para 20%.
No entanto, a intenção seria de praticamente zerar estes débitos. Segundo Omar Coelho, a OAB nacional, sob o comando de Ophir Cavalcante recomenda que os advogados inadimplentes sejam notificados e se o débito não for sanado, tenha sua atividade executada, com a suspensão da carteira da ordem.
No entanto, em Alagoas nenhum advogado foi punido por estar inadimplente. Foi criada uma certidão negativa interna e mesmo assim a indadimplência continua, mesmo com várias formas de pagamento, até em cartão, dividindo em 10 vezes o valor de R$ 600.
Ética
Outro grande problema que a ordem enfrenta em Alagoas é a tão falada ética profissional. Com relação a esse quesito, Omar Coelho é taxativo quanto aos advogados que agem de forma ilegal e lamenta a postura de quem deveria punir.
"Temos sido severos quanto a isso. Na verdade pensamos em expurgar o mau advogado. Temos um tribunal de ética, mas, os conselheiros eleitos não fizeram o que deviam. O trabalho de certa forma foi feito, mas poderia ter sido melhor. Quem instrui o processo disciplinar é o próprio conselheiro.", afirmou.
Eleições 2012
O grande "Calcanhar de Aquiles" da gestão de Omar Coelho veio justamente quando se pensava em uma vitória tranquila no pleito, já que apoiava Rachel Cabus, que tinha como vice o conceituado Paulo Brêda, chapa até então favorita para ser a substituta de Coelho à frente da OAB.

Porém, a divulgação de um áudio revelando um escândalo de corrupção, onde a chapa da situação estaria tentando pagar anuidades atrasadas, em troca de votos, uma vez que só tem direito a voto quem está adimplente.
A partir deste momento, denúncias foram feitas junto ao Conselho Federal da OAB, bem como a Polícia Federal e a candidatura de Rachel Cabus, que era considerada favorita, foi execrada.
Quanto a este polêmico assunto, Omar Coelho não se fez de rogado e falou a sua versão dos fatos. "E um assunto que foi superado, mas as pessoas querem saber. Houve um barulho muito grande para se parir um rato. E esse rato na verdade existiu e foi aquele que violou o sigilo de um escritório de advocacia, onde amigos estavam discutindo temas eleitorais e pegaram parte da conversa e colocaram na mídia, prejudicando a nossa candidata Ra chel Cabus", criticou.
Segundo Omar, o próprio Conselho Federal analisou a nada comprovou, no entanto, a campanha da situação já havia sido exposta e a derrota seria inevitável. "Esses são os fatos. o que há demais nisso, são contos da carochinha. Um momento eleitoral é acirrado, e é normal que aconteçam reuniões sigilosas e que sejam tomadas decisões. Isso foi uma manipulação, mas quando o conselho federal nos deu o salvo conduto, aconteceu na noite anterior às 19h00 e já não adiantaria e assim não conseguimos evitar, não tinha tempo para refazer o acontecido. O resultado foi influenciado, porque todas as pesquisas apontavam a vitória da situação, já que o nosso trabalho vinha sendo reconhecido. Uma armação criminosa que nos tirou do páreo", disparou.
Novo presidente e resquícios do pleito
Mesmo sem ser candidato, Omar saiu derrotado no pleito uma vez que a sua candidata, Rachel Cabus ficou apenas na quarta colocação e viu Thiago Bomfim, que não era favorito se destacar e vencer a eleição.

Mesmo assim, Omar Coelho se mostrou tranquilo quanto ao resultado. "De qualquer forma ficamos satisfeitos com a vitória do Thiago Bonfim, porque a ordem está em boas mãos. Ficou tudo esclarecido, mas ainda existe uma denúncia descabida na polícia federal, que ainda estão analisando se procede", disse o atual presidente, se referindo a denúncia feita pelo advogado, conselheiro federal e então postulante a presidência da OAB, Welton Roberto.

Futuro profissional
"O meu projeto era de deixar a presidência, muito se falou que eu iria dar um golpe e permanecer, mas quem me conhece sabe que eu nunca iria fazer isso e o poder não me atrai e nem envaidece. Apesar das pesquisas me darem uma grande aprovação, essa batalha é cansativa, já venho de seis anos na OAB, quatro anos na associação dos procuradores e vou continuar trabalhando no meu escritório de advocacia com meu pai. Estou afastado da procuradoria desde 2002, mas vou retornar. Deixo uma OAB fortalecida e respeitada", finalizou.









