O ingresso e o fascínio das crianças pela internet e todas as possibilidades que ela oferece como jogos, redes sociais e o acesso fácil ao conhecimento tem conquistado a cada dia milhares de jovens navegantes. Mas por trás de todo o fascínio exercido pelo mundo virtual há também um perigo. A falta de discernimento, característico da idade faz com que muitas crianças sofram bulling. O mais perigoso ainda é que os perfis falsos ou até anônimos fazem com que o combate a esse mal seja mais difícil.
Acostumada desde pequena utilizar computador a jovem Mariana (nome fictício), de apenas dez anos foi vítima recentemente de um crime dessa natureza. Usuária habitual de uma rede social, e pela inocência da própria idade ela revelou a sua senha para duas colegas da escola, que até então pareciam ser suas amigas.
Até então é uma prática até comum, o que ninguém imaginava é que após uma discussão que aconteceu também no bate-papo da tal página de relacionamentos, a tal amiga entrasse com a senha da Mariana e postasse em seu perfil uma grosseria, como se fosse a mariana que tivesse escrito. “Eu não sabia de nada, minha mãe ligou brava para mim e me perguntou o que era aquilo escrito em minha página. Nunca pensei que minhas colegas pudessem fazer isso. Fiquei muito assustada”, revelou tensa a pequena Mariana.
“Eu estava conectada, pois faz parte também do meu trabalho estar ligada nessa página de relacionamentos. Foi um susto muito grande quando vi no perfil de minha filha um palavrão daquele. Telefonei imediatamente e ela me disse que tinha discutido com as amigas e que elas tinham a senha de sua página. Eu me preocupei porque tinha a certeza de que ela jamais postaria aquilo. Conheço minha filha”, comentou Alice, mãe de Mariana.
“A senha foi trocada e elas não tem mais acesso à página, mas entre elas e outros colegas ficaram trocando ofensas e xingamentos envolvendo o nome de Mariana, isso é muito desconfortável”, desabafa Alice.

Atenção
Segundo a psicóloga e psicopedagoga Roseane L. Raposo “quando acontece uma única vez não se caracteriza bulling, mas é preciso estar atento. É bom observar, pois esse é o tipo de comportamento que merece orientação”.
Algumas definições de bulling afirmam que as vítimas são os indivíduos considerados mais fracos e frágeis dessa relação, transformados em objeto de diversão e prazer por meio de “brincadeiras” maldosas e intimidadoras. Partindo desse conceito a psicopedagoga defende que “a criança está na fase de construção de valores morais e não sabe ao certo as atitudes corretas ou não logo os pais devem estar atentos e intervir, se for caso. É preciso deixar claro que eles podem sim sentir raiva, mas isso não permite que eles desrespeitem seus colegas. Devem resolver seus incômodos por intermédio do diálogo e essa intermediação pode sim ser feita pelos pais e educadores”.
Andar em grupo e ter uma forma padrão de agir, falar e pensar é um comportamento normal observado na maioria das crianças, numa determinada faixa etária. Mas “é preciso respeitar a individualidade na construção da identidade. A rivalidade é um processo natural porém apelidar ou denegrir os outros não. Isso tem que estar bem claro quando aparecerem as diferenças entre os indivíduos”, reforça Roseane.
Mocinha ou vilã?
A internet chegou para globalizar o mundo. Com ela não há fronteiras nem limites. É possível ter acesso a todo tipo de informação, em tempo real. Mas algumas regrinhas básicas devem ser seguidas, principalmente para quem tem crianças ‘navegando’. “As redes são uma forma de interação mas deve haver respeito. A vilã não é a internet isso tem q estar claro. As atitudes erradas é que devem ser detectadas e os pais tem a obrigação de orientar as crianças para isso a vigília deve ser constante. Por intermédio da internet os jovens estão expostos a um mundo com muitos estímulos onde a curiosidade é aflorada a cada instante e isso deve ser acompanhado de perto”, comenta Roseane.
• O nome dos personagens foi omitido para preservar a privacidade e evitar retaliações, principalmente na escola.










