Para o senador Fernando Collor de Mello (PTB/AL) - que integra a base governista da presidente Dilma Rousseff (PT) - as penas dadas aos mensaleiros, no julgamento do Supremo Tribunal Federal, foram “muito duras”. Entre os condenados estão antigos críticos ferrenhos de Collor, quando ele foi “tirado” da presidência da República, em 1992, como por exemplo, o petista José Dirceu.

Collor diz que não se pode comparar o caso atravessado por ele na presidência da República com o momento atual em que o PT se envolveu em diversos escândalos e nenhum deles recaiu sobre o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), que se especializou em não saber de nada.

“São momentos distintos. Circunstâncias políticas diferentes. A sensação que tenho - anos depois - é que eu fazia parte de um grupo de jovens idealistas. Tiraram-me da presidência na suposição de um esquema de corrupção. Fui absolvido de todas as acusações. Ora, se foi absolvido - eu me indago - não seria o caso de eu voltar à presidência. É um raciocínio que obedece uma certa lógica, mas não a realidade das leis do país”, colocou.

Collor quis, em entrelinhas, mostrar que seria uma injustiça caso Lula tivesse perdido a presidência diante dos escândalos. Tanto que avaliou o governo do petista como “excelente”. Ao comentar as denúncias envolvendo o Partido dos Trabalhadores, frisou: “vejo com muita tristeza tudo que aconteceu em um momento no qual o Brasil decolava com o governo Lula, que foi excepcional. No campo econômico, o Brasil alcança papel de destaque, respeitado internacionalmente. Episódios que nos deixam entristecidos”, colocou.

De fato os episódios entristecem a nação. E diante de tanta tristeza, o abrandar das penas ajudaria o país ficar mais alegres?

Quanto aos mensaleiros condenados, disse que não gostaria que aquilo tivesse acontecido com nenhum deles. “As penas foram extremamente duras. O clima favoreceu muito. Havia uma torcida”, frisou.

O presidente ainda criticou o pedido de prisão feito pela Procuradoria Geral da República - em especial Roberto Gurgel - afirmando que pedir a prisão durante o recesso do STF foi uma “armadilha”. Fez ainda críticas ao fato do processo não ter sido desmembrado.

“Tudo me deixou triste e preocupado com as instituições e com o desequilíbrio entre os poderes. Temos um legislativo que é mal avaliado pela opinião pública e um Judiciário com tamanha supremacia. A crise já está acontecendo, mas ela vai eclodir. Ela já está instalada, mas vai eclodir nos próximos dias”, ressaltou.

O discurso de Collor mostra seu papel de defesa do PT, ocupando um vácuo importante para o partido de Lula neste momento crucial; o que pode credenciar o petebista como o “senador de Lula” em 2014. Afinal, a disputa que se avizinha em Alagoas é duríssima, envolvendo - por enquanto - Fernando Collor de Mello e o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). 

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