Há um tempo, o pequeno Heitor poderia ser mais um a figurar entre as estatísticas da mortalidade infantil de Alagoas. Bem diferente disso, porém, hoje o menino de um ano e quatro meses faz parte do grupo de crianças que vem vivenciando uma nova realidade no Estado. Nos braços da mãe, Poliana Costa, ele presenciou, nesta quinta-feira (20), o lançamento do livro Avanços e Desafios – A Redução da Mortalidade Infantil em Alagoas.
A publicação, lançada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em solenidade no Palácio República dos Palmares, detalha as ações desenvolvidas na melhoria do atendimento materno-infantil nos 102 municípios alagoanos. Organizada pelo jornalista Inácio França, ela aborda, em especial, os resultados das parcerias entre os governos estadual e municipais, entidades e voluntários, tendo em vista diminuir os óbitos.
Na edição, são mostrados os esforços de diversos parceiros para que Alagoas avançasse 10 posições no ranking da mortalidade, saindo do 1º lugar no número de mortes de crianças com idade até um ano. Segundo o representante da Unicef no Brasil, Gary Stahl, em 2000, o Estado tinha 58,4 óbitos para cada mil nascidos vivos – mais que o dobro da média nacional. Em 2009, esse índice caiu para 20,05.
A queda, entretanto, já chegou a percentuais ainda melhores. “Agora, são 15 óbitos para cada mil nascidos vivos”, comemorou o governador Teotonio Vilela Filho. “Este é um trabalho do qual nos orgulhamos e, por isso, fiz questão de vir e parabenizar os gestores, prefeitos, instituições e a Unicef. Foi um trabalho de mãos dadas com muitas pessoas e que fez com que mil crianças por ano deixassem de morrer”, disse.
Durante a cerimônia, o chefe do Executivo recebeu, do representante do Fundo das Nações Unidas, um certificado pelo esforço na redução da mortalidade. Gary Stahl destacou o trabalho realizado pelo Governo. “Temos muito a comemorar. Alagoas passou do pior, do 27º lugar, para o 17º. Isso mostra o que acontece quando Estado, municípios e sociedade focam esse tema e o torna prioridade absoluta”, afirmou.
De acordo com o secretário de Saúde, Alexandre Toledo, tal avanço se deve, principalmente, às parcerias firmadas. “São ações traçadas pelo Ministério da Saúde, coordenadas pelo Governo Estadual e realizadas pelos municípios. O livro tem uma importância enorme, pois relata o passado, fala do momento presente e define metas para o futuro. Os números são fortes; mais de 10 mil crianças deixaram de morrer nesses anos”.
Além da queda nos óbitos, a publicação traz ainda outros dados importantes, como a realização do pré-natal. Em 2000, aproximadamente 19% das gestantes não tinha nenhuma consulta antes do parto. Em 10 anos, a taxa foi reduzida para 3%, fazendo com que o acesso ao atendimento crescesse 35% – no Brasil ele foi de menos de 8%. Outro fator fundamental foi o acesso à rede de esgoto, que passou de 8% para 20,8% das residências entre 2009 e 2011.
As informações foram coletadas em maternidades, com gestores, funcionários de postos de saúde, gestantes e mães de vítimas da mortalidade infantil, com foco na rede montada pelo Governo e pelos municípios para a diminuição dos percentuais. Para coletar os dados, o jornalista Inácio França visitou diversas cidades alagoanas, do Litoral ao Sertão, no período de setembro do ano passado a julho deste ano.
“Apontamos o que está indo bem e o que precisa ser corrigido. Abordamos tudo o que deveria ser abordado e, em nenhum momento, os gestores colocaram empecilhos. Tivemos total liberdade para escrever, o que, para mim, foi uma agradável surpresa. O que chamou minha atenção foi a integração entre diversas secretarias e a disposição do governador em mudar esses índices. Alagoas investiu para que sua realidade mudasse”, relatou.
Selo - Durante a solenidade, foi entregue, ainda, o Selo Unicef Município Aprovado as 12 cidades alagoanas que mais avançaram na melhoria dos indicadores que garantem qualidade de vida às crianças e adolescentes. Compreendendo o período de 2009 a 2012, o certificado avalia os avanços obtidos em pelo menos 18 de 32 indicadores estabelecidos, a exemplo de mortalidade materno-infantil, evasão escolar e participação social.
Foram contemplados Arapiraca, Coité do Nóia, Coruripe, Delmiro Gouveia, Igaci, Junqueiro, Palmeira dos Índios, Quebrangulo, Taquarana, Teotônio Vilela, União dos Palmares e Viçosa. Ao todo, 1.265 cidades do Semiárido brasileiro aderiram à iniciativa. Dessas, 279 cumpriram todos os requisitos e receberam o selo, criado em 1999 e expandido em 2004.
O prefeito de Quebragulo, Marcelo Lima, destacou a importância da certificação. “Foram 67 municípios de Alagoas que assinaram a adesão à avaliação feita pela Unicef e devemos parabenizá-los. Tivemos muitos avanços. Quebrangulo comemora hoje 710 dias sem a morte de menores de um ano e, além disso, melhoramos em outras áreas, como na educação. Ficamos entre os cinco melhores no Ideb”, disse.
Além dos 12, outras oito cidades também cumpriram todas as etapas e foram consideradas finalistas. Para que isso acontecesse, o Fundo das Nações Unidas pela Infância capacitou gestores, ofereceu assistência técnica e acompanhou os municípios durante quatro anos.