O senador Fernando Collor de Mello (PTB/AL), em entrevista a imprensa alagoana, na manhã de hoje, dia 19, se mostrou de forma bem diferente ao seu tradicional perfil. Sem os jargões de costume e com a busca por demonstrar extrema serenidade na fala, Collor parece estar investindo na construção de uma nova imagem que pode ter como objetivo o cenário político de 2014. Durante a entrevista, ele assumiu que é “candidato à reeleição ao Senado Federal em um grupo de oposição”.
Fernando Collor de Mello pretende reunir o chapão em 2014, com a presença do PT, PMDB, PRB, PRTB, PV e o PDT. Tanto que - conforme ele mesmo - acha que a oposição ao atual governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) precisa criar - e vai! - uma “agenda positiva” em 2013 para consolidar o grupo. O problema é que - nos bastidores - já se fala de uma possível reaproximação entre Vilela e o senador Renan Calheiros (PMDB/AL).
Sobre o assunto, Collor foi taxativo: “pelo que vejo - inclusive na recente declaração do deputado estadual Olavo Calheiros (PMDB), que também representa o partido e a família - ainda há uma postura de marchar com o grupo de oposição”. No dia de hoje, o senador do PTB ainda almoça com lideranças dos partidos aqui citados. “Mas, será só uma confraternização. A discussão política deve se iniciar no ano que vem”.
A nova imagem de um Collor mais acessível, mais sereno, mais crítico em relação ao governo do Estado terá resultado efetivo na renovação de seu eleitorado? É algo que só o futuro vai dizer. Collor - desde que se elegeu senador - esteve envolvido diretamente em apenas um processo eleitoral que foi o de 2010, quando concorreu ao governo do Estado de Alagoas e sequer chegou ao segundo turno. Em 2006 teve uma vitória surpreendente - ainda que acirrada, concorrendo com o atual aliado e ex-adversário Ronaldo Lessa (PDT) - a uma das vagas do Senado Federal.
A derrota de 2010 pode ter deixado lições para Collor. A necessidade de renovar o leque - não só de alianças - mas de eleitores. Não é por acaso que, nos bastidores políticos, se ouve tanto a frase: “Collor não tem eleitores, Collor tem fãs”. A busca de espaços, por meio de um outro diálogo, começou para Fernando Collor de Mello.
Collor foi indagado - durante a coletiva de imprensa - sobre quem seria o novo Fernando Collor. Ele mesmo respondeu: “Quem é o novo Collor? Eu sou candidato à reeleição e me coloco nesta frente de oposição que se forma desta maneira e é como todos estão me vendo. As pessoas dizem que o Collor mudou. Nenhum de nós perde suas características, mas é preciso - em alguns momentos - jogar de acordo com o ritmo do jogo. Não sou a mesma pessoa, evidentemente, de 20 anos atrás. Ganhei maturidade para não incorrer em alguns excessos que fazia. Agora, temos momentos que somos colocados a prova e temos que reagir a isto”, resumiu o senador.
Ele diz ainda que seu projeto para reeleição ao Senado Federal não pode passar - única e exclusivamente - por uma discussão interna do PTB. “O partido não pode falar por si só”. Ao comentar sobre o futuro político, ainda reforçou: “todos os meus passos serão retornados para Alagoas”.
Por sinal, Collor deve assumir o papel de principal opositor do atual governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), pegando o vácuo do maniqueísmo “tucanos versus petistas” que não existe na Terra dos Marechais. Collor - ainda que do PTB - pode ser em Alagoas o papel que o PT não faz!
Fernando Collor não poupou Vilela. Voltou a falar da questão da segurança pública, com o discurso já conhecido. Ele ainda - na função de opositor - fez a crítica às contrações de empréstimos feitas pelo tucano. “É o governo que mais endividou Alagoas. O Estado passa por uma séria crise de governabilidade. São empréstimos que não há definição específica dos destinos destes recursos. Precisamos cobrar esta transparência que é tão cantada em verso e prosa. Além disto, há também a questão da Educação que se encontra em calamidade. O ano letivo foi jogado fora”, salientou. O ex-governador de Alagoas e ex-presidente também criticou a situação do Instituto Médico Legal Estácio de Lima. Afirmou que o local “amontoava corpos em um desrespeito completo às famílias”.
Estes são alguns dos trechos da fala de Collor onde o opositor fica claro. Mas, todos ditos de uma maneira bem diferente daquele Fernando Collor que erguia a mão, que tinha frases de efeito - por vezes até colocadas fora de contexto em matérias jornalísticas - e bordões. O novo Collor parece ter tomado aulas de “paz e amor”. Surge aí a tendência para um senador mais aberto à imprensa e com opiniões mais fortes sobre o contexto político de seu Estado natal, mas sem esquecer Brasília. O petebista falou muito sobre petistas, mensalão e julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, comento sobre daqui a pouco, em outro post.
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