A polêmica, iniciada durante o julgamento da “Máfia do Lixo”, promete render ainda muitos capítulos. Depois de o procurador Luciano Chagas ter dito no Pleno do Tribunal de Justiça de Alagoas que não houve crime por parte do prefeito de Maceió, na contratação de empresas para coleta de lixo na capital, o chefe do Ministério Público, Eduardo Tavares, que assinou a denúncia contra o gestor, classificou a postura do colega como inaceitável e estranha.

Em entrevista ao CadaMinuto, Chagas voltou a afirmar que Cícero Almeida não cometeu crime e por isso não poderia ser denunciado por dispensa de licitação. “Crime não houve. Quando o delito foi tipificado não ficou claro quem cometeu o crime. E tem mais, não vou discutir com ele (Eduardo Tavares)”, colocou.

O procurador disse que o fato de as empresas terem sido contratadas pelo prefeito não configura crime. “Imagine Maceió sem coleta de lixo? Era uma emergência e por isso o contrato foi emergencial”, detalhou Chagas.

Sobre as declarações de Tavares, que disse que denunciará Chagas ao Conselho Nacional do Ministério Público, o procurador afirmou estar com a consciência tranquila. “Quem me conhece sabe que sou honesto. Eu só faço o que é certo e quando algo está errado eu denuncio mesmo. Não ia deixar que uma denúncia assim fosse à frente, não houve crime. Não tenho medo, quem quiser que me denuncie”, frisou.

Em nota divulgada por Tavares, ele determinou a exoneração do subprocurador geral do MP Afrânio Roberto, que deveria ter feito a sustentação oral no Pleno do TJ e não Luciano Chagas. “Eu estava indo desde novembro nas audiências do Tribunal, entendo que hoje também deria fazê-lo”, observou.

Chagas garantiu ainda não ter nenhum vínculo com Cícero Almeida e que, por isso, não teria motivos para beneficiar o prefeito. “Se tivesse crime, eu ia ser favorável à denúncia e à condenação, mas não há e eu não concordo com erro. Eu mal conheço o prefeito. Hoje mais tarde vou dormir com minha consciência tranquila”, encerrou o procurador.