Lançado nesta segunda-feira, 17, o boletim Radar: tecnologia, produção e comércio exterior discute a mão de obra no Brasil, suas demandas, possibilidades e capacidades. Os seis artigos que compõem a vigésima terceira edição da publicação reúnem análises e prognósticos do mercado de trabalho brasileiro, com foco no trabalhador, em suas capacidades e as particularidades dos diversos campos de trabalho e as respectivas competências exigidas.
Aspectos da produtividade laboral do país são discutidos no artigo Breves Notas sobre Escassez de Mão de Obra, Educação e Produtividade do Trabalho, escrito pelos técnicos de Planejamento e Pesquisa do Ipea Paulo A. Meyer M. Nascimento, Divonzir Arthur Gusso e Aguinaldo Nogueira Maciente.
O texto aponta que a produtividade do trabalho no Brasil é historicamente baixa, manifestando muito pouco crescimento ao longo dos anos. Medida em termos de produto interno bruto (PIB) por pessoal ocupado, a produtividade do trabalho brasileira é três vezes menor que na Coreia do Sul, quatro vezes menor que na Alemanha e cinco vezes menor que nos Estados Unidos.
Competências
Maciente também é autor do artigo A Mensuração das Competências Cognitivas e Técnicas das Ocupações Brasileiras, no qual ele traça prognósticos de pesquisa em andamento que busca caracterizar o mercado de trabalho brasileiro a partir das competências e habilidades dos trabalhadores.
O resultado desse estudo cumprirá o papel de fornecer os instrumentos necessários para a compreensão de dimensões pouco exploradas do mercado de trabalho no Brasil e a investigação futura dos impactos que a qualificação dos trabalhadores e trabalhadoras exerce sobre as diferentes regiões e setores de atividade.
Em seguida, o pesquisador descreve que, no Brasil, a mão de obra é empregada em ocupações que utilizam mais intensivamente habilidades ligadas à venda e ao atendimento ao consumidor, à resolução de conflitos, ao uso da força física, à assistência médica, ao ensino e às telecomunicações, no artigo intitulado Uma Análise Setorial e Regional das Competências Laborais no Brasil.
Os demais fatores são, de acordo com o texto, relativamente menos utilizados pelas empresas e instituições empregadoras. Destacam-se, neste sentido, as habilidades cognitivas - ligadas à compreensão da língua e ao raciocínio lógico.
Em Demanda por Trabalho Qualificado em Design e Engenharia nas Oito Maiores Regiões Metropolitanas do Brasil, Paulo A. Meyer M. Nascimento faz uma análise dos indicadores de diferencial salarial entre admitidos e desligados e de taxa de rotatividade nos empregos para os campos de design e engenharia, nas oito maiores regiões metropolitanas do país: São Paulo (RMSP), Rio de Janeiro (RMRJ), Belo Horizonte (RMBH), Porto Alegre (RMPA), Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride-DF), Recife (RMR), Fortaleza (RMF) e Salvador (RMS).
Empregos verdes
De acordo com o quinto texto do boletim, A Identificação de Empregos Verdes, ou com Potencial Verde, sob as Óticas Ocupacional e Setorial no Brasil, de Fernanda J. A. P. Nonato e Aguinaldo Nogueira Maciente, existem hoje cerca de três milhões de empregos verdes no Brasil, o que corresponde a apenas 6,6% do total de postos de trabalho formais.
Embora seja uma pequena porcentagem, estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que os empregos verdes já crescem mais rapidamente que os demais no mercado de trabalho brasileiro. A oferta nacional destas ocupações teria crescido 26,7% em cinco anos, contra 25,3% da média de crescimento de vagas formais do país.
O último texto, Níveis e Estruturas de Emprego no Brasil: algumas pistas para uma agenda de pesquisas trata da necessidade de se construir uma rede de estudos e pesquisas sobre as perspectivas do emprego no Brasil e os desafios que o país deve enfrentar, agora e no futuro próximo, para proporcionar aos trabalhadores as competências requeridas para atendê-las. A autoria é de Divonzir Arthur Gusso.










