Há exatos 14 anos Alagoas ia dormir sob o choque da notícia de uma chacina que teria ocorrido no bairro da Gruta de Lourdes. As informações ainda eram desencontradas, mas já davam conta de que a Deputada Federal Ceci Cunha, seu esposo e mais duas pessoas haviam sido assassinadas.

O dia era 16 de dezembro de 1998, dia da diplomação de todos os eleitos deputados estaduais e federais, senadores e governador em Alagoas naquele ano. Ceci e o marido teriam saído da solenidade e ido visitar uma parenta recém-saída do hospital por ter dado à luz, quando foram surpreendidos na varanda da casa por pistoleiros que abriram fogo contra todos que lá estavam.

Em janeiro deste ano (2012), 13 anos após o crime, depois de três dias de julgamento na Justiça Federal em Alagoas, a sociedade conheceu os detalhes que envolveram estes brutais assassinatos.

Talvane Albuquerque, médico e principal adversário político de Ceci em Alagoas, foi condenado pela autoria intelectual e com ele mais quatro comparsas pela execução dos assassinatos. Após horas de interrogatórios, depoimentos e debates jurídicos, Alagoas enfim pode ver a Justiça agir como dela se espera.

Atendo-se às provas dos autos, ao debate acalorado e ao direito, considerando princípios e normas, o Tribunal do Júri condenou os acusados. O Juiz Federal prolatou uma sentença histórica e, sopesando todo o período de mais de 13 anos em que os acusados responderam em liberdade em face de recursos protelatórios, condenou-os ao cumprimento da pena de imediato.

O julgamento mostrou que a motivação foi política e que Talvane, suplente de Ceci, visou apenas o mandato de deputado federal recém-conquistado pela vítima. Detalhes da trama e da execução, assim como argumentos pesados de defesa, foram assistidos por todos e, ainda que alguns encontrassem dúvida razoável para uma eventual absolvição, a imensa maioria entendeu o que foi refletido no voto dos Jurados: os acusados eram culpados pelos homicídios.

Alagoas carrega em seu seio marcas de um passado-presente de alta criminalidade, um passado onde o coronelismo político ditava as regras do jogo e apontava quem viveria e quem morreria, viu surgir a esperança de tempos mais democráticos. Tempos em que a vida não fosse peça descartável e famílias pudessem viver em harmonia e felicidade independentemente do vil jogo político sanguinário.

Ceci e seus parentes foram vítimas da pistolagem que sempre assombrou os alagoanos e que marcou a história recente da política nordestina. Deixou como legado uma vida pública irrepreensível e valores morais e éticos que continuam sendo repassados por seus filhos aos alagoanos.

O dia 16 de dezembro ficou marcado na vida de muitos alagoanos e brasileiros pelo assassinato frio de pessoas inocentes e pelo esfacelamento de duas famílias. Para que não se perca a esperança que a condenação dos acusados acendeu na sociedade essa história não pode deixar de ser contada.