Do peso de ser filha de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e neta de João Havelange, presidente de honra da Fifa, até a pressão sofrida por estar na linha de frente de comando do Comitê Organizador Local da Copa (COL), após uma indicação familiar. Joana Havelange baixou a guarda e resolveu falar.
Entrevista exclusiva é coisa rara na vida da executiva do COL. Mesmo em coletivas de imprensa e eventos públicos, costuma fugir dos holofotes. Faz parte da personalidade, garante. Da mesma maneira que demonstrou despojamento, Joana não se incomodou em terminar o silêncio autoimposto e se desnudar para revidar às provocações.
– Sou quieta, na minha. A exposição de a toda hora estarem falando me deixa chateada. E, normalmente, as pessoas não me conhecem, falam coisas que não são verdade. Mas sabia que estaria sujeita a isso – contou Joana
Em 45 minutos de entrevista, foi fácil perceber que Joana não tem o linguajar ou os trejeitos comuns a executivos do nível do cargo que ocupa. No COL, comanda 40 das 115 pessoas da equipe.
– Estão vendo? Estou trabalhando, como faço todos os dias. Todo mundo diz que não trabalho – divertiu-se Joana, ao receber o lance, em sua sala no COL, em uma tenda no pátio do Riocentro. Em janeiro, a entidade irá para um pavilhão do centro de convenções.
O alívio das pressões por carregar dois sobrenomes ligados a vários escândalos no futebol brasileiro e mundial vem dos filhos: João, de 11 anos, e Júlia, 8. Musculação, andar de bicicleta, tai chi chuan e meditação são os complementos para conter a ansiedade.
– Tenho sorte que meus filhos entendem 100%. Digo a eles que é a história que a gente está fazendo. Meu filho é louco por futebol, mas é só para jogar. Torce para o Barcelona e é vascaíno por influência do pai. Foi um golpe – lamentou a flamenguista Joana.
