O recém diplomado prefeito da Barra de São Miguel, José Medeiros Nicolau (PP), o Zezeco, estranhou o decreto de emergência assinado pelo o atual prefeito do município, Carlos Henrique de Almeida Alves (PSC). Há quase cinco meses, a Barra de São Miguel teve três gestores diferentes à frente da Prefeitura e o funcionalismo e fornecedores sofrem com salários atrasados.
Na última sexta-feira (30), o Diário Oficial do Estado de Alagoas trouxe o decreto emergencial baseado na situação de ‘anormalidade’ nas contas públicas. A situação deve se estender por um período mínimo de 90 dias. Para Zezeco, o decreto causa estranheza, já que desde o mês de Agosto Carlos Henrique assumiu a Prefeitura e nada foi feito. “Apesar das diversas tentativas, não consegui entender o objetivo dele. Faltando menos de 30 dias para o final do mandato o prefeito toma essa postura. Por não decretou assim que assumiu a prefeitura? É, no mínimo, estranho”, considerou.
Com o decreto de emergência o prefeito que está no cargo pode firmar contratos com empresas sem a necessidade de licitação. Para evitar maiores problemas com as contas do município, Zezeco defendeu a atuação do Ministério Público de Alagoas. “É Importante que o MP apure todo e qualquer contrato celebrado no final dessa gestão. O nosso município enfrenta uma dura situação financeira e a população não pode pagar mais esse preço”, alertou.
Apesar do déficit de receita estimando em mais de R$ 5 milhões, o novo prefeito prometeu que o tradicional carnaval da Barra está garantido e não sofrerá nenhuma sequela. “Assim que assumimos vamos cortar diversos gastos. Entre eles, a redução de Secretariais e diversos cargos comissionados. Vamos colocar as contas do município em Ordem”, frisou.
Afastamento
A pedido do MPE/AL, em Agosto, o prefeito Reginaldo de Andrade foi afastado acusado de diversos crimes contra a administração pública. Em seu lugar, assumiu o vice-prefeito, George Raposo Maio Neto, mais conhecido como “Lelo Maia”, que renunciou o posto de prefeito cinco dias após encontrar os cofres da prefeitura 'sem condições nenhuma de funcionamento'.
“Falência total”
Para o advogado Marcelo Brabo, que foi o porta-voz de George Raposo em recente entrevista à imprensa, a situação da Barra de São Miguel é muito preocupante e a intervenção Estadual ou até Federal seria o caminho para retirar o município do buraco. “George apenas nomeou e exonerou servidores. Ele se viu diante de uma situação inusitada. Caso ele assinasse algum documento ou efetuasse pagamento de algo, o nosso cliente poderia ser preso por até cinco anos. De fato, o município se encontra em completo estado de falência”, alertou o advogado.
