Após manifestações de apoio que reuniram milhares nas ruas do país, o presidente do Egito Mohamed Morsi definiu neste sábado (1º) que o referendo à Constituição do país será no dia 15 de dezembro. Segundo informações da Reuters, da France Presse e da BBC, a declaração foi feita na tarde deste sábado, após Morsi receber o rascunho da constituição, e ele teria apelado ao diálogo "em relação ao que preocupa o país".

"Eu renovo meu chamado por um diálogo nacional sério em relação às preocupações da nação com honestidade e imparcialidade, para o fim do período de transição o mais breve possível, de uma forma que garanta esta recém-nascida democracia", disse Morsi.

O rascunho da constituição do Egito e um decreto recente que proíbe contestações judiciais às decisões de Morsi geraram protestos por parte da oposição por fortalecer o poder do presidente. Houve protestos e violência em várias cidades do país, com frases como "O povo quer derrubar o regime", sendo cantadas na Praça Tahrir -- mesmo local em que, há menos de dois anos, Hosni Mubarak foi derrubado.

Neste sábado, no entanto, os apoiadores de Morsi foram às ruas em manifestações que reuniram por volta de 200 mil pessoas.

Constituição
A Comissão Constituinte egípcia adotou na sexta um projeto de Constituição para substituir a revogada após a queda de Hosni Mubarak, no início de 2011, e anunciou que será submetido a um referendo. Os membros desta comissão, dominada pelos islamitas, votaram os 234 artigos que lhes foram submetidos no transcurso de uma sessão.

A nova Constituição mantém a referência aos princípios da sharia, que já figurava na lei fundamental anterior, sob a presidência de Mubarak. O texto, adotado por unanimidade, foi submetido ao presidente Mohamed Morsi. A adoção rápida deste projeto, que estava há meses estancado, chega em plena crise política sobre os poderes presidenciais reforçados que Morsi se autoconcedeu na semana passada.

Crise
Morsi mergulhou o Egito em uma nova crise na semana passada, quando deu a si mesmo amplos poderes e colocou suas decisões além da contestação judicial, dizendo que essa era uma medida temporária que ia acelerar a transição democrática do país, até que uma nova Constituição seja aprovada.

A afirmação de autoridade em um decreto emitido em 22 de novembro, um dia depois que ele recebeu elogios do mundo pela intermediação de uma trégua entre Israel e o movimento islâmico palestino Hamas, assustou seus adversários e aumentou as divisões entre os 83 milhões de egípcios.

Duas pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas durante os protestos pelas forças de oposição, que foram agrupadas e fortalecidas por um decreto que elas entendem como uma tomada de poder ditatorial.