O ministro da Fazenda, Guido Mantega, argumentou, em entrevista coletiva em São Paulo para comentar os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta sexta-feira, que um conjunto de situações que provocaram o pequeno crescimento da economia no terceiro trimestre já foram superadas, e as condições para um melhor desempenho estão mantidas.

Mantega argumentou que o investimento já está em recuperação, que diversos setores consumiram estoques de julho a setembro e agora vão elevar a produção, e que nos próximos trimestres o país sentirá mais o impacto das medidas de redução de juros e impostos sobre o consumo.

'Não atentamos para o peso e o resultado da intermediação financeira, mas as últimas pesquisas e indicadores mostram uma reação, um aumento do crédito. Esse indicador deverá ser diferente no 4º trimestre', disse o ministro, lembrando que ninguém ? nenhum analista, nem o próprio governo previu um PIB tão fraco no terceiro trimestre. Para o ministro, a economia vai crescer 4% em 2013 e no último trimestre deste ano o crescimento, em relação ao terceiro trimestre, será em torno de 1%, o que também já indica um ritmo anualizado de 4%.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta sexta que o PIB teve expansão de 0,6% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o segundo trimestre, na série com ajuste sazonal, de acordo com o resultado das Contas Nacionais divulgado nesta sexta-feira pelo

Mantega argumentou que 'a redução da taxa de juros não surte efeito imediato, ela exige alguns meses para fazer efeito e isso tem sido retardado pela crise internacional, que causa uma expectativa negativa'.

Ele também ponderou que o primeiro efeito da redução da taxa de juros foi reduzir a intermediação financeira, acabando por influenciar, no curto prazo, o baixo resultado do PIB. No médio e longo prazos, diz ele, o efeito da queda dos juros será diferente porque ele dará estimulo à economia.

'O custo do investimento e do consumo está caindo, e a redução do spread abre a possibilidade para um maior poder de consumo da população', disse ele, acrescentando, no entanto, que esse efeito positivo da queda dos juros demora mais para aparecer, bem como os efeitos da desvalorização do câmbio, que serão mais sentidos pelo empresariado nos próximos trimestres.

'A economia está se adaptando a essa nova situação. A taxa [do terceiro trimestre] não foi o que todos esperávamos, mas foi melhor que nos trimestres anteriores. Deveremos alcançar um crescimento de 4% no próximo ano', disse Mantega.

O ministro argumentou que o investimento já está em recuperação e citou o aumento na produção e venda de caminhões como um exemplo. 'Precisamos olhar o que está acontecendo hoje, e temos um movimento de recuperação difuso em todos os setores. Por isso mantenho previsões de crescimento em torno de 1% no quarto trimestre e de 4% para o próximo ano', disse Mantega.