A presidente Dilma Rousseff e sua colega argentina, Cristina Kirchner, reforçaram nesta quarta-feira sua aposta na integração regional e concordaram em agilizar os mecanismos de cooperação bilateral.
"Decidimos que vamos estabelecer mecanismos mais rápidos, políticas mais ativas de consulta, não tão protocolares", anunciou Cristina durante o encerramento da 18ª Conferência Anual da União Industrial Argentina (UIA), da qual também participou Dilma, em Los Cardales, a 60 quilômetros de Buenos Aires.
A integração "já não é um desejo, não é uma exigência, é uma necessidade", acrescentou a governante argentina, convencida que "o tempo urge" e "hoje se exige uma premência, uma eficiência e uma inteligência um pouco maior, porque estamos em uma época de crise sem precedentes no mundo".
"Ou saímos juntos ou não saímos, e posso lhes assegurar que vamos sair e vamos fazer isso juntos", insistiu Cristina, para quem a integração regional é uma "condição sine qua non para manter as conquistas" da última década.
Segundo sua opinião, Brasil e Argentina têm a oportunidade de se transformar nas duas grandes "polias" da região e estimular seus vizinhos da América do Sul.
Por sua vez, Dilma também expressou uma clara aposta na integração regional no atual contexto internacional. "É necessária a integração de nossas estruturas produtivas para competir no mundo", ressaltou.
A presidente pediu especialmente o fim dos "desequilíbrios comerciais" e a redução das "assimetrias na relação bilateral" a fim de garantir economias mais integradas e competitivas nos mercados internacionais.
"A integração Brasil-Argentina exige um diálogo permanente entre governos e empresários para construir uma das mais importantes alianças no hemisfério e no mundo", ponderou.
"Nossa única opção é buscar mais integração e mais solidariedade entre os dois maiores países deste lado do hemisfério", declarou Dilma.
"O objetivo é superar todos os tipos de bloqueios para ampliar ainda mais nosso financiamento", insistiu Dilma, que considerou que Brasil e Argentina devem "ser mais ambiciosos e construir verdadeiros canais de crédito para superar os impedimentos ao financiamento".
A presidente pediu que industriais e políticos de Argentina e Brasil fomentem o investimento e a cooperação em vários setores estratégicos, entre os quais mencionou a indústria naval, automobilística, nuclear, espacial, tecnológica, energética e de infraestrutura.
"Juntos somos mais fortes", concluiu Dilma, para quem o fortalecimento dos vínculos bilaterais ajudará a região a resistir melhor à crise mundial.
Durante a convenção da UIA, que começou na terça-feira, os chanceleres de ambos países ressaltaram o potencial de Brasil e Argentina, que juntos constituem a quinta economia mundial, e manifestaram a aposta conjunta em fortalecer o Mercosul como mecanismo de integração regional.
O Mercosul "funciona como uma câmara de testes para a integração sul-americana", visando a constituição de uma "frente de livre-comércio" sul-americana para 2019, comentou o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, durante o primeiro dia da conferência. EFE









