O prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PSD), em sua lógica, deixa espaço aberto para uma reflexão importantíssima: “o que deve pautar um gestor: agir pelo que é certo, ou por vias no mínimo estranhas como a construção de caminhos baseados na troca de favores?”. A resposta deve ser dada pelo próprio Almeida; após uma de suas mais recentes declarações, conforme o site Salve Alagoas.

De acordo com o site, assim disse o prefeito: “Heloísa Helena (PSOL) só não foi cassada porque eu não permiti que a minha bancada cassasse”. Qual era a de Almeida? Fazer um favor a principal voz de oposição dentro da Câmara Municipal de Maceió para ter um trunfo? Para poder cobrar depois? Para poder cobrar quando? Ora, diz a lógica, que estes tipos de expedientes só são úteis a quem precisa. E aí nasce o perigo: os que precisam deste tipo de expediente. Espero que Almeida não precise.

Creio que Heloísa Helena não concordaria com a prática!

Se Almeida agiu junto a sua bancada por entender que Heloísa Helena merece seu espaço na Câmara Municipal de Maceió mesmo sendo uma voz de oposição, mostraria altivez, grandeza de espírito e reconhecimento do contraditório como essencial para o fortalecimento da democracia. Mas - se é que este pedido à bancada existiu - parece que não foi esta a motivação, caso a declaração lida no post do Salve Alagoas, seja realmente esta.

E atingir Heloísa Helena em função das declarações de Hélio Morais? Ora, se Almeida se sentiu ofendido pelas declarações de Morais fez certo em processá-lo. O resto é com a Justiça. Porém, quero acreditar que Heloísa Helena e Hélio Morais sejam duas pessoas, sejam duas consciências. Espero que assim o seja. Pois seria ridículo falar em um para atingir o outro. Espero que não seja esta também a intenção de Cícero Almeida.

Uma outra pergunta também: Heloísa Helena precisou desses bastidores todos para se manter na Câmara? Seria interessante uma declaração dela. Vale ressaltar que a declaração de Almeida se refere ao episódio do desentendimento envolvendo a psolista e a vereadora Tereza Nelma (PSDB). São águas passadas.

No mais, quantos pedidos Almeida faz para a bancada? E sobre o que? 

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