Persianas, canetas e até mesmo brincos. Uma caixa de distribuição de linhas telefônicas é quase um playground para um bom grampeador. E quem poderia imaginar que esses objetos poderiam guardar tantos segredos. O mundo dos “grampos” tornou-se a "menina dos olhos de ouro" de quem precisa saber alguma informação sigilosa. Vale lembrar que esses produtos são proibidos pela Justiça.
Na última semana, um caso ganhou repercussão em Alagoas e movimentou a disputa pela eleição da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB). Um áudio contendo uma conversa de integrantes de uma das cinco chapas que estão na disputa traz uma suposta prova de compra de voto.
Pagamentos de anuidades de advogados inadimplentes que poderia ir às urnas na próxima sexta-feira (23). A moeda de troca, neste caso, seria a candidata Rachel Cabús, apoiada pelo atual presidente da entidade Omar Coelho, que disputa a vaga de conselheiro federal.
Em recente entrevista à imprensa, Cabús condenou a postura de alguns candidatos do pleito e revelou estar bastante confiante no resultado da eleição da Ordem. A crise no comitê se instalou após a divulgação do áudio e a candidata garantiu que os envolvidos na escuta irão responder por essas ações
"Foi uma atitude ardil, desrespeitosa, abusiva e lamentável. Defendemos com unhas e dentes a inviolabilidade do escritório de advocacia e essas pessoas adotam essa postura. A Comissão Nacional da Ordem chegará em Alagoas e comprovará que não há irregularidades em nossa gestão. Querem macular a imagem do nosso grupo, mas não vão conseguir. Por duas gestões, trabalhamos sempre em favor dos advogados”, frisou ela na entrevista.
Os tipos de grampo
Passeando pela internet não é difícil encontrar quem oferece esse tipo de serviço. Em um dos sites, um anúncio induz que é fácil descobrir a traição de seus parceiros, além de patrão querendo saber o os que os seus funcionários fazem.
De acordo com um detetive, que teve a sua identidade preservada por essa reportagem, vários aparelhos estão disponíveis no mercado, dos mais simples aos mais sofisticados.
“Não precisa ser tão sofisticado. Os mais utilizados sempre foram aqueles aparelhos plantados no ambiente que captam a voz e depois são retirados pela mesma pessoa. Só que esses correm riscos de não funcionarem perfeitamente, a bateria pode acabar, ou não ficar com resultado esperado”, afirmou.
O detetive lembrou ainda para alguns golpes enviados por e-mail que também gravam conversas. “Alguns vírus chegam pelo e-mail e podem sim pegar todas as informações do usuário. Tem alguns que driblam até o sistema de antivírus, ameaçando a vida do usuário”, disse o detetive.
Os mais modernos são os que utilizam a tecnologia GSM, que é destinado a transmitir conversas e sons de um determinado local. Basta ligar para ele e este irá atender automaticamente e discretamente sem emitir qualquer tipo de sinal. Este transmissor deverá ficar no local a ser monitorado.
“Deve colocar um chip de qualquer operadora e pronto. É bem simples, porém o seu custo é muito alto, custa mais de R$ 3 mil. Porém, não é difícil de encontrar, basta utilizar os sites de buscas que essas ferramentas estão em todo lugar, mesmo sendo proibidas” pontuou.
Perito Criminal
Para o perito criminal Paulo Rogério, em Alagoas ainda não há essa tecnologia para identificar as vozes nas gravações, mas a identificação é simples. “Nós identificamos as ondas sonoras, que cada pessoa tem a sua. Trabalhamos ainda na identificação dos matérias de gravação, para saber se em determinado ambiente havia ou não algum aparelho de escuta”.
Ainda segundo o perito, a identificação de vozes não demora muito tempo. “Em cerca de 10 dias, dependendo da disponibilidade do confronto das vozes”, disse.
Já para o advogado Felipe Lins, as escutas só podem ser feitas com determinação judicial. “Ou por ordem judicial, ou de quem está gravando e ainda se quem esta gravando admite na conversa que esta utilizando o meio como forma de defesa”, afirmou o advogado.
