O conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil e candidato à presidência da OAB de Pernambuco, Pedro Henrique Reynaldo Alves, pediu a intervenção da Diretoria do Conselho Federal da OAB, para censurar as “infelizes e absurdas declarações do Presidente da OAB-AL, Omar Coelho, sem prejuízo da adoção das medidas legais permanentes”. O pedido foi encaminhado ao presidente Ophir Cavalcante Júnior e membros da CFOAB neste últim sábado (17).
O pedido é referente à gravação, divulgada em primeira mão pelo CadaMinuto, de uma reunião que comprovaria que o atual grupo planejava trocar o pagamento de anuidades de alguns advogados inadimplentes em troca de votos para o pleito que acontece na próxima sexta-feira (23).
O áudio da gravação apresentada por um candidato a Polícia Federal mostraria a negociação do pagamento de anuidades para os advogados que votarem na chapa encabeçada por Rachel Cabús e Paulo Brêda, respectivamente candidatos à presidente e vice da Ordem. As vozes seriam dos próprios candidatos e do atual presidente da OAB, Omar Coelho, além do procurador-geral do estado, Marcelo Teixeira e do desembargador eleitoral Fernando Maciel.
Em entrevista à imprensa, Coelho descartou renunciar do cargo devido à divulgação e admitiu ter feito o pagamento de anuidades de advogados inadimplentes em suas duas campanhas à presidência da Ordem. Coelho afirmou também que o pagamento de anuidades de inadimplentes é uma prática comum nas eleições não apenas da OAB Alagoas, mas também de outras seccionais do país. "O que existe e sempre existiu, sendo cínico e falso quem diz diferente, é a regularização de colegas, que já votariam na chapa, mas têm dificuldades junto à tesouraria", explica Omar Coelho.
Questionado se a prática havia sido feita nas duas eleições em que saiu vencedor para a presidência da OAB, Omar afirmou: "Só nas minhas não. Em todas as campanhas da OAB, é bom que se frise. Agora, para essa, conforme digo na gravação, nós não iríamos fazer".
Segundo o conselheiro federal Pedro Henrique Reynaldo Alves, o caso ultrapassou todos os "limites toleráveis de uma complacência companherística, a exigir providências imediatas e enérgicas do CFOAB, sob pena de nos vermos inseridos no mesmo 'pântano' que ambienta as eleições gerais em todo o país." "De nossa parte posso assegurar que, em Pernambuco, seja nesta gestão como na anterior, nunca ocorreu à prática imoral de pagamento de anuidades atrasadas para compra de votos", concluiu.
