A Roupa Nova do Rei é uma fábula de autoria de Hans Christian Andersen. Nela o Rei é ludibriado por um falso alfaiate que o extorque dizendo ser capaz de lhe fazer vestes caríssimas e belíssimas que apenas os mais inteligentes seriam capazes de apreciar. Para não parecer imbecil, o Rei se deixou enganar, assim como seus súditos fingiram ver a roupa.

Somente quando uma criança gritou “O Rei está nu!” que todos se deram conta do golpe.
A inocente fábula mostra o quanto a vaidade das pessoas pode cegá-las e convencê-las de uma verdade mentirosa.

Nós, advogados alagoanos fomos aviltados em nossa honra, nossa moral e nossa crença. Com uma aprovação de mais de 80%, a atual gestão da “Casa dos Advogados” está se vendo envolvida num escândalo sem precedentes no país – cegos eles e nós. O pagamento de anuidade em período eleitoral é o tipo de acusação contra candidatos que “todos já ouviram, mas que ninguém nunca viu”, todos conhecem algum beneficiário, mas nenhum foi pessoalmente agraciado (pelo menos não os que comigo convivem e nem eu).

O áudio que contém declarações fortíssimas está em todo o mundo virtual e extratos de seu conteúdo estão em todos os jornais impressos do estado, não será “linkado” a este espaço, simplesmente porque respeito os advogados, a sociedade alagoana e eu mesma – são declarações que prefiro não ouvir novamente e nem recomendo para quem é ético e tem um estômago sensível.

Lamentei profundamente a discussão travada no aludido áudio envolvendo a cúpula da atual gestão da OAB/AL e alguns apoiadores da candidatura da situação. Doeu mesmo.

Ter que ouvir amigos mencionarem “essa minha raça”, não foi fácil e nem tem sido. A imagem da advocacia alagoana foi manchada e hoje nos cabe fazer nosso trabalho de “limpeza” mostrando à sociedade alagoana que nada do que se ouviu é regra, mas exceção.

Quero deixar claro que não apoio o uso de tais declarações, que só nos depreciam – advogados e alagoanos – em proveito político, simplesmente porque quem tem interesse nisso, e só por isso agora vazou para a imprensa, não pensa e não pensou na classe e nem na sociedade.

Se a intenção fosse boa, quando fez a gravação, nos idos de agosto, teria tomado atitude de pronto para que fossem evitados quaisquer danos à OAB e não agiria interesseiramente para se aproveitar do período eleitoral. Afinal, durante pelo menos três meses se omitiu na busca pela responsabilização dos "culpados" e pela moralização da OAB em Alagoas, prejudicando a classe e a sociedade.

Se há uma coisa que aprendi nessa minha vida foi a respeitar as pessoas, mas antes disso respeitar a mim mesma, meus ideais e meus princípios. Sequer no mundo das ideias se admite que seja cogitada a corrupção, a desonestidade e o desrespeito a uma classe. O que ouvi me chocou, chorei e até adoeci, não é drama, é decepção.

Não é novidade para nenhum dos meus estimados leitores que nunca apoiei o continuísmo da atual gestão, simplesmente porque nunca me senti representada, razão porque também optei por não apoiar nenhum dos candidatos que não se desvincularam à atual gestão, justamente porque para mim tal ação comprova que ainda há linhas (ainda que tênues) os ligando.

A gente permanece em grupos que acredita, enquanto acredita e confia, no dia em que perde a crença, sai e muda, mostra que é possível fazer diferente, inspira e luta pelo que acredita. Manter-se só mostra que os interesses não são tão diferentes, acomodar-se é sempre bem mais conveniente.

Mas isso não significa que não os respeite e que não lhes queira bem. Respeito e quero bem a todos. Considero-me amiga, colega de profissão e estarei sempre disposta para um bom papo. Ser cordial e afável no dia a dia não é nenhuma falsidade, é boa educação, é saber separar as coisas e reconhecer que pessoas podem ser boas e agradáveis no âmbito pessoal e reprováveis no profissional, assim como o contrário. 

O certo é que ninguém é de um todo bom e nem de um todo mau, somos o que somos, com defeitos e virtudes e respeitar nossas diferenças é respeitar a sociedade.

Não concordo com aviltamento à classe, mas nenhum deles! Nem pagamento de anuidade, nem de whisky, nem de jantar, nem de almoço, nem de acarejé... Prezo pela consciência das pessoas, todas elas, e assim prezo pelo bom debate, pelo convencimento, afinal, sou advogada e minha arma são as palavras.