Seguindo a rotina, o líder do PMDB na Assembleia Legislativa de Alagoas, Olavo Calheiros, chamou mais uma vez o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB) de irresponsável e classificou como agiotagem o empréstimo de R$1.2 bilhão desejado pelo gabinete do Executivo. As declarações foram dadas ao final da sessão ordinária desta terça-feira (13) para membros da imprensa.

Após aprovação dos pareceres que deram o primeiro sinal verde para contração dos créditos, o peemedebista solicitou e o presidente da Casa de Tavares Bastos, Fernando Toledo (PSDB), acolheu o adiamento da apreciação dos Projetos de Lei. “Na verdade, acredito que nós deveríamos discutir de forma mais ampla a real necessidade desses empréstimos. O nosso estado já está afogado em um mar de dívidas e esse governador quer deixar mais essa herança para o próximo gestor. Esse é o jeito de um usineiro governar, né? Eles fazem as dívidas e nem pensam no amanhã. É lamentável”, criticou Calheiros.

As solicitações tramitam em regime de urgência e a apreciação por parte dos parlamentares deve acontecer nos próximos dias. Olavo lembrou que essa não é a primeira vez que Vilela pede um empréstimo com valor milionário.

“O governador pediu, gastou e não mudou nada em Alagoas. Os serviços públicos continuam com sérios problemas. Esse R$1.2 bilhão será utilizado para pagar rombos financeiros, ou seja, a política da agiotagem. É visível isso. Repito, uma discussão séria e coesa é o caminho para evitar mais essa tragédia”, pontuou o parlamentar.

O líder do governo na Casa, Edval Gaia Filho (PSDB), levou até os seus colegas algumas explicações sobre a alocação dos recursos desejados pelo Executivo, mas Olavo informou que as informações são insuficientes e gênericas. “Trouxeram aí um papel com algumas coisas que não mostram nada. É preciso que o relator dos projetos mostre ponto a ponto os locais que os recursos almejados serão alocados. Não podemos tampar os olhos diante dessa realidade. Na próxima gestão, o chefe do Executivo terá que pagar mais de R$ 60 milhões apenas dessas dívidas, fora as outras que estão sendo pagas. Não entendo a lógica do governo. Atualmente, as receitas caíram e as contas não fecham, porém, as dívidas vão se acumulando dia após dia”, ponderou.

O deputado mostrou o caminho que Teotonio Vilela deveria, em tese, seguir para mudar Alagoas e disse que a duplicação da AL-101 sul não mudou em nada a realidade da região local. “Ele deveria renegociar os valores desse empréstimo. No caminho que vai a população alagoana vai pagar uma alta conta, a exemplo dessa obra da duplicação. Eles passaram quase quatro anos para construir e deixaram o estado endividado em mais de R$ 370 milhões. O nosso estado não precisa desse tipo de obra que o governador quer realizar”, salientou.

O valor a ser repassado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é de R$ 611 milhões e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), 500 milhões. Para isso, os deputados devem aprovar os Projetos de Lei. O Executivo deve obter sucesso já que a bancada governista é maioria na ALE.