O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) ironizou o pedido do Palmeiras de impugnar a partida diante do Internacional. O jogo será mantido normalmente por unanimidade de votos (9 a 0). Sendo assim, o asterisco sai da tabela de classificação do Campeonato Brasileiro. O Internacional volta a ter 51 pontos, e o Palmeiras segue com os mesmos 33, a sete de sair da zona de rebaixamento.
"O máximo que o Palmeiras deveria ter pedido, era a validação do gol, e não sua anulação. Esse pedido é um absurdo, se isso acontecer tem que pegar o boné e ir embora", ironizou o procurador geral do STJD, Paulo Schmitt. "Se essa partida for remarcada, quem vai apitar? Vai ser portão fechado? Porque vai dar morte. Anular uma partida é um absurdo".
O Palmeiras já começou enfrentando problemas no julgamento. O advogado do time paulista, José Mauro do Couto, apresentou as provas fora do prazo estabelecido e, por isso, teve seus argumentos indeferidos pelo presidente do Pleno, Luiz Zveiter. Mesmo assim, os palmeirenses apresentaram o material levado ao Tribunal e causaram revolta no staff do Internacional.
O clube paulista, por sua vez, passou a mostrar vídeos com falas da repórter da TV Bandeirantes que falou ao vivo que o delegado da partida, Gérson Baluta, havia pedido informações à mídia sobre o lance. Na sequência, Barcos deu seu depoimento, confirmou que tocou a bola com a mão, mas alegou ter sido puxado pelo zagueiro Índio.
Depois, o árbitro Francisco Carlos do Nascimento afirmou que recebeu a informação via rádio de que o gol havia sido de mão em 12 segundos. "Tentei ouvir do Jean Pierre quem colocou a mão, mas ficou uma confusão grande do lado de fora do campo, e esse jogador não foi identificado, senão o teria advertido com cartão", disse ele no Tribunal. O 4º árbitro, Jean Pierre, também manteve o mesmo discurso.
Gérson Baluta também negou que tenha conversado com a repórter da TV Bandeirantes e disse que Taynah Espinoza mentiu. "Se alguém tiver imagem em que eu esteja a menos de dez metros dessa repórter, quero ver", disse ele, explicando que a profissional não esteve no Rio de Janeiro por orientação de sua emissora.
Após uma pausa, o julgamento foi retomado e o advogado do Palmeiras usou o lado emocional para tentar convencer Zveiter da idoneidade de Taynah Espioza. "Ela é, inclusive, gaúcha, sobrinha do ex-técnico Espinosa, que treinou o meu Botafogo e o seu Botafogo", disse José Mauro Couto, para depois continuar. "Porque que o delegado do jogo apareceu tanto? A imprensa estava louca? Ela não tinha nenhum interesse no caso, e merece muito mais credibilidade que os depoimentos do delegado e do árbitro aqui hoje, que pretendem negar qualquer erro que possam ter tido".
Para se defender, o advogado do Internacional, Daniel Cravo, explicou que o Palmeiras não respeitou alguns procedimentos legais na hora de apresentar provas e ainda lembrou que outros clubes estavam interessados naquela decisão. Por fim, ele desqualificou os argumentos do advogado palmeirense.
"É quase uma leviandade dizer que três profissionais vieram aqui mentir (em relação ao delegado e árbitros), em troca de aceitarmos notícia da imprensa. Poderia trazer aqui 400 outras notícias que diriam outra coisa a respeito do fato", afirmou Daniel Cravo.
Por fim, foi a vez dos membros do STJD confirmarem que a vitória nos bastidores seria do Internacional. "Tanto não houve influência externa que, após cinco minutos, mesmo com toda a imprensa sabendo quem marcou o gol de mão, a arbitragem não teve conhecimento disso", afirmou Paulo Schmitt.
O relator do STJD, Ronaldo Botelho, ainda confirmou que não havia provas suficientes para impugnar a partida. Todos acompanharam o relator, e a partida foi definida como válida.
