Começou nesta segunda-feira (5) o segundo curso de Mediação de Conflitos Comunitários, no Conjunto Selma Bandeira. Promovida pelas Secretarias de Estado de Promoção da Paz (Sepaz) e de Articulação Social (Seas), a iniciativa continua o processo de introdução das lideranças comunitárias na proposta de resolução pacífica de conflitos, em uma preparação para a implantação do Núcleo de Justiça Comunitária no bairro do Benedito Bentes.

As aulas são dadas na sede do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), de segunda a sexta, das 8h às 12h, e envolvem 30 moradores do conjunto. O secretário de Promoção da Paz, Jardel Aderico, esteve na abertura dos trabalhos.

“Cada um de vocês aqui é um diferencial nesta comunidade, cada um está aqui porque já é uma referência para seus vizinhos. Nós pretendemos dar a vocês uma ferramenta a mais para orientar e articular essas pessoas, a fim de que elas também promovam a paz no bairro”, disse Jardel.

A abertura contou com a presença da coordenadora especial da Seas, Salete Beltrão, e de policiais da Base Comunitária do Selma Bandeira, que conduziram uma dinâmica com os presentes.

“Foi interessante perceber, nas explanações que os moradores fizeram durante a dinâmica, como eles conseguem traduzir os anseios daquela comunidade, e também como já conseguem se perceber como parte do processo de superação da violência. Eles já começam a notar que não adianta o Estado estar ali pra reprimir a violência se a própria comunidade não se unir na prevenção dessa violência. Eles se identificaram como parte interessada e parte responsável para isso acontecer”, explicou Jardel.

O secretário da Paz apontou que este segundo curso – o primeiro aconteceu em setembro, no Conjunto Carminha – não se propõe a formar mediadores, e sim a preparar o ambiente para a implantação do Núcleo de Justiça Comunitária, aprovado em edital do Ministério da Justiça e que está em fase de tramitação para liberação de recursos.

“Estamos, na verdade, preparando o terreno. A mediação não é uma coisa que vai acontecer a curto prazo, da noite para o dia. É uma forma nova de lidar com o conflito e as pessoas vão aprendendo. Quando o Núcleo for implantado, essas pessoas, que já são referências para a comunidade, estarão familiarizadas com o procedimento e auxiliarão nos trabalhos de mediação”.

A mediação de conflitos é um procedimento de resolução alternativa e pacífica de problemas que tem ganhado espaço em todo o mundo. Em Alagoas, a Secretaria de Promoção da Paz tem dado destaque a esse trabalho nas formas de mediação comunitária, em parceria com a Secretaria de Articulação Social, e na mediação escolar, em parceria com a Secretaria da Educação. Este trabalho, inclusive, já chamou a atenção de técnicos do Ministério da Justiça em visita ao estado, levantando até a possibilidade de utilizar a experiência alagoana em outras escolas do Brasil.