Uma onda verde lotou o restaurante Anamá na noite desta quinta-feira, 1º, para acompanhar a entrevista concedida pelo advogado Welton Roberto, que concorre à presidência da Ordem dos Advogados seccional Alagoas (OAB/AL) com a chapa Prerrogativa é a Ordem, ao jornalista Plínio Lins, que destacou o fato de o encontro ter tido o maior e mais atento público entre os candidatos já entrevistados.
Durante o bate papo, permeado de humor, mas, sem perder o foco na objetividade, Welton discorreu sobre suas principais propostas para a OAB/AL, os projetos apresentados e votados no Conselho Federal, entre eles a realização da Semana de Formação do Advogado Jovem, e sobre sua vida literária e pessoal, desde a infância em São Paulo.
Após presentear o entrevistador com seu mais novo livro, “A vingança dos dóceis”, o candidato respondeu a primeira pergunta, acerca da atual direção da OAB/AL. “Hoje a Ordem tem uma boa representatividade junto à sociedade, mas, não representa o advogado, não tem planos para cuidar da advocacia, não lutou por um piso para o advogado empregado. Para se ter uma ideia, na Sala do Advogado de Arapiraca não existe sequer uma máquina fotocopiadora”, afirmou, frisando ainda a importância de colocar em prática uma das suas principais propostas de campanha: a criação de um tribunal de defesa das prerrogativas.
Welton Roberto confirmou ao jornalista que sua campanha não possui apoio político e financeiro defendeu que, em sua gestão, os dirigentes da OAB/AL não possuam vínculos partidários: “Precisamos de independência. Nosso partido é a OAB”. O advogado também destacou o caráter democrático que pretende imprimir a sua gestão: “Como presidente, não serei um déspota. Vou fortalecer cada conselheiro e conselheira que integra a chapa composta por 80 nomes”.
Ao falar sobre outra proposta de campanha, a “Anuidade zero”, Welton Roberto disse que pretende oferecer descontos progressivos aos advogados que participarem de cursos e convênios ligados a OAB/AL, em uma espécie de ‘bônus’ por fidelização.
Ao responder a pergunta da candidata Cláudia Amaral sobre seus projetos para transformação da sociedade, o conselheiro federal citou o Escritório da Cidadania, onde cerca de três mil advogados – em paralelo ao trabalho da Defensoria Pública – prestariam serviços à comunidade carente.
Filho e neto de nordestinos, nascido ‘acidentalmente’ em São Paulo, Welton Roberto se emocionou ao falar do pai, que trabalhava como estivador, e sobre o fato de ter sido o primeiro da família a ter uma formação superior. “Quando disse que seria criminalista, meu pai ficou um ano sem falar comigo, mas, quando o vi assistindo meu primeiro júri, em Santos, eu fiz o meu melhor. Meu pai é o cara. É meu herói”.
Welton Roberto também surpreendeu entrevistador e plateia ao discorrer sobre facetas pouco conhecidas de sua personalidade, como a paixão pela diplomacia e por William Shakeaspeare na adolescência, o amor incondicional pelos filhos, a paixão atual pela corrida, os dotes culinários – não dispensa uma boa macarronada - e sobre o personagem “David Goodman”. Criado por ele para ‘embasar’ bibliografias durante toda a sua adolescência, o personagem também ‘assina’ o prefácio do livro A Vingança dos dóceis.
Voltando às perguntas dos oponentes, o advogado respondeu ao questionamento de Rachel Cabús sobre as críticas feitas a atual gestão e cobrou, publicamente, a realização de um debate entre os cinco candidatos à presidência da Ordem.
Em relação à pergunta do advogado Thiago Bonfim, de que seria ‘irônico’ com os poderes constituídos nas redes sociais, Welton frisou o fato de seu bom humor ser confundido com escárnio. “Eu não tenho relação de submissão a qualquer político, mas, respeito todos os poderes constituídos e destaco que nunca fui representado por nenhum juiz ou promotor deste Estado”.
Na pergunta de Marcelo Brabo, sobre o advogado professor, Welton destacou a necessidade de a OAB/AL fiscalizar as faculdades públicas e privadas de Alagoas e, no outro questionamento, acerca da inviabilidade da realização das eleições – no próximo dia 23 de novembro – no Clube da OAB, Welton concordou com o colega em relação ao fato de o local não possuir estrutura para isso. “As fotos que vi do clube são aterrorizantes. Não há condições de segurança para fazer uma eleição dessa magnitude lá e, caso a atual gestão insista nisso, iremos judicializar o pleito”, frisou.
Ao final do bate papo, o candidato destacou que suas propostas são as melhores para a advocacia alagoana e que o momento deve ser de alegria e não de animosidades e agressões: “Cada advogado é uma Ordem para defender o estado democrático de Direito”.

