O secretário adjunto do Desenvolvimento Econômico, Keylle Lima, reuniu-se com o Sebrae Alagoas nesta quinta-feira (1º) para discutir a possibilidade de adaptar um modelo de gerenciamento de artesãos implantado no Estado de Santa Catarina em Alagoas. Há cinco anos, o Sebrae desenvolve nos municípios catarinenses o evento “Aroma Sabor e Arte Catarina”, que comercializa produtos de artesanato e do agronegócio e movimentou, em sua última edição, 700 mil pessoas e faturou mais de R$378 mil
A consultora Rosana Fuhrmann foi uma das responsáveis pela implantação do modelo em Santa Catarina e explicou como o projeto se iniciou e seu funcionamento. “Nós sentimos a necessidade de trazer o artesão para mais perto de nós, por incrível que pareça pode ser muito difícil convencer as pessoas a frequentar as capacitações, encontrar novas maneiras de aprimorar aquilo que fazem. Nós trabalhamos com uma série de requisitos que devem ser atendidos pelos produtores, todos devem se enquadrar nos perfis adequados para comercialização, além de apresentarem toda a documentação exigida”, ressalta.
Rosana refere-se a uma curadoria, grupo especializado que avalia quais produtos podem ser expostos. Os critérios utilizados levam em conta design, técnica, apresentação e mercado. “Antes de um veredicto, a curadoria também tem a função de orientar as unidades produtivas para que seus trabalhos tenham elementos conceituais e possa levar ao mercado um produto genuíno, de qualidade e inovador”, explica.
Um esboço de mapeamento da produção local foi apresentado na ocasião, o grupo estuda a proposta de fazer dessa iniciativa um programa de Estado voltado para o segmento artesanal e agronegócio. Capacitações previstas para 2013 como ações de fomento e suporte à formalização do Microempreendedor Individual (MEI), atividades direcionadas à melhoria de gestão e ao mercado funcionam como estratégias para promover o fortalecimento aos pequenos produtores, que passam a ter acesso ao mercado com valor agregado aos seus produtos.
“Além de uma manifestação cultural, o artesanato é também um negócio, não podemos esquecer isso. Muitas pessoas aqui têm essa atividade como sua única fonte de renda, alguns já conseguem desenvolver isso muito bem, mas outros ainda precisam de muita atenção. Com essa metodologia acredito que vamos incentivar todas as parcelas de artesãos de Alagoas, cada um a seu modo. Mantendo uma veia crítica e apoiando no que eles precisarem para seu desenvolvimento vamos garantir que esses produtos tenham a agregação de valor necessária e encontre um público fidelizado”, enfatizou Keylle Lima.
A diretora técnica do Sebrae, Renata Fonseca, defendeu a implantação de novas medidas. “Claro que no início vai ser complicado modificar a maneira que tratávamos o segmento, mas tudo isso vai gerar melhorias gradativas. No momento que eles tiverem a consciência de que funcionam como um grupo as coisas vão mudar bastante. Eles passam a ter mais discernimento, acredito que o caminho é esse. Para 2013 o “Aroma Sabor e Arte Catarina” tem como objetivo faturar 500 mil reais, imagine daqui a alguns anos poder dizer que os produtores de Alagoas conseguiram atingir esse patamar, é nisso que devemos focar”, concluiu.
Ainda este mês um grupo técnico formado por representantes da Seplande e do Sebrae será estabelecido para dar celeridade ao projeto. Em Alagoas, o artesanato é tocado pelo Programa de Artesanato Brasileiro (PAB), que é coordenado pela Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (Seplande) através de sua diretoria de artesanato e pelo Sebrae. O agronegócio também é coordenado pela Superintendência de Desenvolvimento Regional e Setorial (Suder) da Seplande, através de alguns dos Arranjos Produtivos Locais (APLs) inseridos no Programa de Arranjos Produtivos Locais.